A taxa de desocupação no Brasil fechou o primeiro trimestre do ano em 7% da população economicamente ativa, com 891 mil pessoas a mais buscando emprego em relação ao trimestre anterior, segundo dados divulgados nesta terça-feira (30) pelo IBGE. Apesar do aumento de 0,8 ponto percentual na comparação trimestral, o indicador mantém trajetória de melhora estrutural: é a menor taxa para períodos encerrados em março desde o início da série histórica em 2012 e representa queda de 0,9 ponto ante igual período de 2024.
O mercado de trabalho apresenta um cenário dual no início de 2025:
- Lado negativo: Queda de 1,3 milhão de postos (principalmente em construção e serviços domésticos) e aumento do desalento (+6,6%)
- Lado positivo: Salário médio atinge recorde histórico de R$ 3.410 (alta de 4% em um ano) e informalidade recua para 38% (menor nível desde a pandemia)
Destaque paradoxal: Enquanto a população ocupada encolheu, a massa salarial cresceu R$ 21,2 bilhões no acumulado anual, impulsionada por ganhos reais em setores como construção (+5,7%) e serviços públicos (+4,1%).
DESTAQUES DO MERCADO DE TRABALHO (Jan-Mar/2025)
1. DESEMPREGO E SUBUTILIZAÇÃO
| Indicador | Jan-Mar/2025 | Var. Trimestral | Var. Anual |
|---|---|---|---|
| Taxa de desocupação | 7,0% | +0,8 p.p. | -0,9 p.p. |
| População desocupada | 7,7 milhões | +13,1% | -10,5% |
| Taxa de subutilização | 15,9% | +0,6 p.p. | -2,0 p.p. |
| População subutilizada | 18,5 milhões | +4,0% | -10,8% |
Contexto:
- Apesar da alta trimestral, é a menor taxa para trimestres encerrados em março da série histórica
- Queda anual reflete expansão de 2,3 milhões de postos em 12 meses
2. EMPREGO FORMAL X INFORMAL
- Setor privado com carteira: Estável no trimestre (+3,9% no ano)
- Trabalho sem carteira: Queda de 5,3% no trimestre
- Informalidade: 38,0% (38,9 milhões), menor nível desde 2020
3. RENDIMENTOS
| Indicador | Valor | Var. Trimestral | Var. Anual |
|---|---|---|---|
| Rendimento real habitual | R$ 3.410 | +1,2% | +4,0% |
| Massa de rendimentos | R$ 345 bilhões | Estável | +6,6% |
Setores com maior alta salarial (anual):
- Construção (+5,7%)
- Serviços públicos (+4,1%)
- Conta própria (+5,5%)
4. SETORES EM BAIXA
? Queda trimestral na ocupação:
- Construção (-397 mil)
- Alimentação (-190 mil)
- Serviços domésticos (-238 mil)
? Queda anual:
- Agricultura (-334 mil)
- Serviços domésticos (-208 mil)
ANÁLISE
- Cenário contraditório: Queda estrutural do desemprego (tendência anual) convive com ajustes sazonais (alta trimestral)
- Boom de rendimentos: Salário real acumula alta de 8,3% desde 2022
- Desafios:
- Retração em setores intensivos em mão de obra (construção, serviços)
- Aumento do desalento (+6,6% no trimestre)






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