Tesouraço fascista ameaça remédio de 27 milhões de brasileiros

Farmácia Popular não consta do plano de corte de R$ 190 bi do canditato fascista

Por Frente Livre
farmácia popular
O candidato, quando questionado, nega desvinculação, mas todos os assessores da área econômica confirmam. Foto: Reprodução Redes Sociais

Votar em Flávio Bolsonaro é uma ameaça direta à vida dos aposentados brasileiros. O candidato fascista do Partido Liberal (PL) à Presidência promete cortar R$ 190 bilhões dos gastos públicos. No plano de governo entregue ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), porém, o Farmácia Popular não aparece — o programa que garantiu remédio gratuito a 27 milhões de pessoas em 2025. Ou seja, uma das “despesas” cortadas, caso ele seja eleito, virá de lá.

O programa criado por Lula

O Farmácia Popular nasceu em 2004, no primeiro mandato de Lula, pela Lei 10.858 e pelo Decreto 5.090. Hoje distribui gratuitamente 41 itens: remédios para hipertensão, diabetes, asma, colesterol, osteoporose, rinite, Parkinson e glaucoma, além de fraldas geriátricas e absorventes. São 28 mil farmácias credenciadas em cerca de 5 mil municípios, com cobertura de 97% da população. Quem mais depende do programa é o idoso: 71% dos atendimentos. Em 2026, o Ministério da Saúde reservou R$ 4,7 bilhões.

A receita do pai, repetida pelo filho

A ameaça não é cenário distante. No governo de Jair Bolsonaro, pai do candidato, a proposta orçamentária de 2023 cortou cerca de 60% da verba do programa, de R$ 2,48 bilhões para R$ 1,01 bilhão, enquanto bilhões seguiam para o orçamento secreto dos deputados e senadores do centrão e da extrema direita. O programa encolheu de 24,7 milhões para 21,9 milhões de usuários. Lula reverteu o estrago e ampliou o acesso. Agora o filho promete um novo corte, sem garantir que o Farmácia Popular será poupado.

O discurso e o plano

A desvinculação das aposentadorias do salário mínimo é a espinha dorsal do tesouraço. Flávio nega: “Não farei economia com salário mínimo, nem com aposentados”. A campanha afirma que a vinculação será mantida. Mas o plano econômico ligado à pré-candidatura prevê desvincular aposentadorias e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) do crescimento do salário mínimo, travando a renda de 28 milhões de beneficiários. Coordenadores da campanha defendem acabar com os aumentos reais. O deputado Kim Kataguiri foi direto: “Vamos usar economia com desvinculação do mínimo e dos pisos para fazer superávit fiscal”.

É a principal demanda do mercado financeiro: congelar o benefício pago a pessoas incapacitadas para o trabalho, como portadores de deficiência ou doenças crônicas, e deixar a inflação corroê-lo ano após ano. A justificativa é a velha falácia de que o Brasil está quebrando e precisa de superávit primário para reduzir a dívida pública. Tradução: parar de gastar com os pobres para deixar o dinheiro dos impostos pagando juros aos ricos. O “cardápio de cortes” de R$ 190 bilhões, 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB), não detalha de onde sai o dinheiro.

Enquanto o candidato promete proteger o aposentado, a própria equipe dele e o mercado planejam o congelamento. Votar em Flávio Bolsonaro é escolher o país em que o idoso decide entre o aluguel e o medicamento. O nome bonito para isso é ajuste fiscal. O superávit que eles pedem é o déficit na mesa do pobre. A esquerda tem 20 dias para explicar: o tesouraço do filho é o desmonte do pai, com o remédio do trabalhador virando juro do banqueiro.

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