A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (11), a terceira fase da Operação Barco de Papel, que investiga crimes contra o sistema financeiro ligados à gestão de recursos da RioPrevidência, fundo de previdência do Estado do Rio de Janeiro. Durante o cumprimento de mandado em Balneário Camboriú (SC), um dos ocupantes do imóvel arremessou pela janela uma mala com dinheiro em espécie. O valor foi recuperado pelos agentes.
Além do montante apreendido, a PF recolheu dois veículos de luxo e dois smartphones. Nesta etapa, estão sendo cumpridos dois mandados de busca e apreensão em endereços vinculados aos investigados em Balneário Camboriú e Itapema (SC). As ordens foram expedidas pela 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, diante de indícios de obstrução de investigações e ocultação de provas.
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Na semana passada, o ex-presidente da RioPrevidência Deivis Marcon Antunes foi preso por agentes da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal em Itatiaia (RJ), após retornar dos Estados Unidos. Ele é suspeito de obstrução e de tentativa de ocultar elementos relevantes para as apurações.
A nova fase busca localizar bens, valores e objetos que teriam sido retirados do apartamento do principal alvo da operação na etapa anterior, realizada em 23 de janeiro.
A Operação Barco de Papel investiga supostas irregularidades na aquisição de letras financeiras emitidas pelo Banco Master, instituição que entrou em liquidação extrajudicial após decisão do Banco Central por insolvência e suspeitas de fraude.

Segundo as investigações, entre novembro de 2023 e julho de 2024, a RioPrevidência teria investido cerca de R$ 970 milhões no banco. O fundo estadual é responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões a aproximadamente 235 mil servidores e dependentes no Rio de Janeiro.
Em nota, a PF informou que “a investigação, iniciada em novembro, visa apurar um conjunto de 9 operações financeiras, realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024, que resultaram na aplicação de aproximadamente R$ 970 milhões de recursos pertencentes à autarquia em Letras Financeiras emitidas por banco privado”.
A corporação também sustenta que as operações, supostamente irregulares, “expuseram o patrimônio da autarquia a risco elevado e incompatível com sua finalidade”.
O caso envolve ainda suspeitas de gestão fraudulenta, créditos fictícios e lavagem de dinheiro relacionados ao Banco Master. As investigações seguem em curso para apurar responsabilidades e eventual prática de crimes contra o sistema financeiro nacional.
