O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), conhecido por sua atuação como embaixador informal dos interesses de Washington no Brasil, resolveu levar o entreguismo a um novo patamar. Em vídeo postado em suas redes sociais na quarta-feira (3), o “Zero Três” sugeriu abertamente que o Brasil abra mão do Pix — a maior e mais bem-sucedida ferramenta de inclusão financeira da história recente do país — para adotar o Zelle, um sistema de pagamentos privado controlado pelos grandes bancos dos Estados Unidos. A motivação? Agradar Donald Trump e provar que, para o clã Bolsonaro, a soberania nacional não vale um hambúrguer do McDonalds.
A fala de Eduardo não é apenas um delírio isolado, mas um alinhamento direto com a chantagem comercial imposta pelo governo Trump através da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) acusa o Banco Central do Brasil de “favorecer” o Pix e prejudicar empresas americanas de pagamentos digitais.
Para Eduardo, a solução é simples: destruir uma infraestrutura pública, gratuita e eficiente para que o cidadão brasileiro volte a pagar taxas para corporações estrangeiras. “Dá para você ir para uma mesa de negociação com os americanos”, afirmou o deputado, com a naturalidade de quem negocia o patrimônio alheio.
O Zelle e a armadilha do lucro privado
Diferente do Pix, que é uma infraestrutura pública disponível para toda a população e que reduziu drasticamente os custos para pequenos negócios, o Zelle é uma plataforma restrita e privada. Ao sugerir essa troca, Eduardo Bolsonaro despreza o fato de que 84% dos brasileiros consideram o Pix uma conquista nacional intocável. O sistema brasileiro é alvo de ataques justamente porque funciona bem demais… para os brasileiros.
O relatório do USTR chega ao absurdo de contestar a obrigatoriedade de participação no Pix para grandes bancos e a posição de destaque do sistema nos aplicativos. É o imperialismo digital em sua forma mais pura: se o Brasil cria algo superior e gratuito, os EUA exigem que seja sabotado em nome da “livre concorrência” que só beneficia os deles.
Eduardo, em vez de defender a inteligência e a tecnologia brasileira, prefere atuar como o porta-voz do “tarifaço”, ganhando nas redes o apelido de “Tarifeduardo” em sintonia com o irmão o “Tariflávio“.
Soberania em troca de um “like” em Mar-a-Lago
A reação popular nas redes mostra que o tiro saiu pela culatra. O Pix é visto como um símbolo de soberania econômica e proteção contra a exclusão bancária. Ao propor a troca pelo Zelle, Eduardo Bolsonaro escancara que o projeto da extrema direita para o Brasil é a submissão total. Enquanto o governo Lula defende o Pix como ferramenta de desenvolvimento, o clã Bolsonaro tenta usá-lo como moeda de troca em uma mesa de negociação onde o Brasil entra apenas para assinar a rendição.
O desespero de Eduardo para agradar Trump ocorre no momento em que a família Bolsonaro tenta se desvencilhar do desgaste causado pelo caso “BolsoMaster”. Tentar desviar o foco atacando o Pix é uma estratégia perigosa que mexe no bolso e na rotina de milhões de brasileiros. O deputado descobriu que pode falar o que quiser sobre pautas de costumes, mas quando tenta entregar a tecnologia nacional para banqueiros americanos, o “patriotismo” da sua base começa a fazer perguntas incômodas.




Deixe seu comentário