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Eles manobram para livrar super-ricos do Imposto de Renda

Como fez Izalci Lucas no Senado, Arthur Lyra faz relatório isentando IR do andar de cima e, com isso, atrapalha projeto de isenção para quem ganha até R$ 5 mil

O projeto de lei que muda as regras do Imposto de Renda pode ser votado nesta quarta-feira (1º) na Câmara dos Deputados. O texto original previa que, a partir de janeiro de 2026, lucros e dividendos recebidos por pessoas físicas acima de R$ 50 mil por mês passariam a ser taxados.

No entanto, mudanças incluídas no relatório final pelo deputado Arthur Lira (PP), e repetidas em versão semelhante no Senado pelo senador Izalci Lucas (PL), estabelecem que lucros distribuídos em 2026, mas referentes a resultados de empresas apurados em 2025, não sejam tributados.

Segundo o Instituto Justiça Fiscal (IJF), isso significa que, na prática, os contribuintes de maior renda só passariam a pagar imposto sobre esses ganhos em 2027. “É uma autoimposição legislativa que a Constituição não exige e que pode prejudicar os cofres públicos em um momento crítico para o equilíbrio fiscal”, disse o diretor do IJF Carlos Mantovani.

Como funcionaria a nova cobrança

A proposta cria uma cobrança mínima de 10% sobre lucros e dividendos quando o valor recebido por uma pessoa ultrapassar R$ 50 mil em um mesmo mês. Essa cobrança seria feita diretamente na fonte e descontada depois na declaração anual, funcionando como uma antecipação do imposto devido.

Somente quem recebe mais de R$ 600 mil no ano seria alcançado pela medida. O objetivo é reduzir a isenção sobre lucros e dividendos que está em vigor desde 1996.

Para a presidenta do IJF, Clair Maria Hickmann, a mudança incluída no relatório desvia o foco da proposta. “Se essa emenda for mantida, o governo perderá arrecadação exatamente onde mais poderia arrecadar. Isso pressiona o orçamento e pode levar a cortes em políticas sociais já no próximo ano”, afirmou.

Alívio imediato para rendas menores

O projeto também prevê isenção total de imposto para quem recebe até R$ 5 mil por mês e redução para rendas de até R$ 7.350. Essas medidas entram em vigor já em janeiro de 2026.

Com a emenda, no entanto, cria-se um descompasso: trabalhadores de baixa e média renda terão o benefício imediato, mas os contribuintes de maior renda só passariam a pagar imposto sobre lucros e dividendos em 2027.

Debate sobre a legalidade

O argumento para adiar a cobrança é de que isso evitaria que empresas antecipassem a distribuição de lucros antes da vigência da nova lei. O IJF, no entanto, afirma que a Constituição não exige essa regra.

De acordo com a entidade, o Imposto de Renda já poderia ser aplicado em 2026 sem risco jurídico, pois se trata de rendimentos efetivamente recebidos pela pessoa física, e não de resultados contábeis das empresas.

O que acontece no Senado

Na semana passada, a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado aprovou um projeto semelhante, também com a regra que adia a tributação para 2027. A proposta, relatada pelo senador Renan Calheiros (MDB), agora segue para análise da Câmara.

Para o IJF, a justificativa apresentada – de que a medida evitaria antecipação de lucros em 2025 – não se sustenta. “Troca-se uma hipótese por uma certeza de perda de arrecadação em 2026”, avaliou a entidade.

O que está em jogo

O Instituto Justiça Fiscal defende a aprovação do projeto, mas sem a emenda que adia a cobrança sobre lucros e dividendos. “É preciso garantir que a retenção mínima de 10% sobre altos rendimentos já ocorra em 2026, sem brechas que comprometam a arrecadação”, concluiu Hickmann.

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