A entrevista do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao programa 60 Minutes, da emissora CBS, descarrilou neste domingo (26) após a jornalista Norah O’Donnell ler trechos de um manifesto que o descreve como “estuprador” e “pedófilo”. O episódio, exibido ao vivo, evidenciou mais uma vez a estratégia de confrontação permanente de Trump contra a imprensa, em especial quando confrontado com críticas ou acusações sensíveis.
A leitura do trecho detonou a reação imediata do presidente. “Eu estava esperando você ler isso, porque eu sabia que você leria, porque vocês são pessoas horríveis”, declarou. Em seguida, continuou: “Sim, ele escreveu isso, eu não sou um estuprador… Eu li o manifesto. Sabe, ele é uma pessoa doente. Você não deveria estar lendo isso no 60 Minutes, você é uma vergonha, mas vá em frente, vamos terminar a entrevista.” Durante toda a conversa, Trump alternou ataques diretos à jornalista e tentativas de desqualificar o conteúdo apresentado.
Veja o vídeo
Trump dobra a aposta e ataca opositores
Quando O’Donnell mencionou que Cole Allen, suspeito do ataque a tiros em Washington na noite anterior, teria participado de um protesto “Sem Reis”, Trump respondeu com ironia: “O motivo de existirem pessoas assim é que existem pessoas que fazem ‘Sem Reis’. Eu não sou um rei. O que eu sou… Se eu fosse um rei, não estaria lidando com você.” A frase ilustra a mistura característica de vitimização e agressividade que marca sua relação com a mídia desde o primeiro mandato.
Mesmo acusando a imprensa de ser “leniente com o crime”, Trump pediu que a Associação de Correspondentes da Casa Branca remarque o jantar interrompido pelo ataque, afirmando não querer que “uma pessoa desequilibrada” defina a agenda política. “Não quero que seja cancelado. Acho muito ruim que uma pessoa desequilibrada possa cancelar algo assim”, afirmou. Apesar disso, tentou minimizar sua participação: “Não é que eu queira ir. Estou muito ocupado. Não preciso disso.”
Tiroteio eleva tensão política
O ataque ocorrido no Washington Hilton, na noite de sábado, não chegou ao salão em que Trump estava sentado. Mesmo assim, o episódio ampliou o clima de tensão em torno do governo. O presidente descreveu sua própria reação como calma e afirmou não ter se sentido alarmado, apesar do caos relatado por presentes.
A entrevista, em vez de esclarecer os acontecimentos, reforçou o padrão: confrontado, Trump parte para o ataque — e transforma qualquer questionamento em conflito.






Deixe seu comentário