A busca no Google “Flávio esquema pandemia” dá como resultado uma história escabrosa. O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) é apontado como chefe de um esquema que controlou os seis hospitais federais do Rio de Janeiro durante a pandemia, com rachadinha política, funcionários fantasmas, contratos superfaturados e mais de 30% dos leitos fechados enquanto o estado registrava 77.166 mortes por Covid-19. A apuração da Agência Pública, publicada no início de outubro, reuniu gestores, parlamentares e órgãos de controle. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, rebateu o tema no debate da Band, em 18 de outubro.
O poderoso chefão
Sem ocupar cargo no governo do pai, Flávio passava por cima, segundo Padilha:
Era, de fato, o poderoso chefão dos hospitais federais. Passava por ele a indicação de quem seria diretor e todas as decisões relacionadas a hospitais e contratos. Ele montou um esquema de rachadinha política com a ocupação dos cargos e provocou um desmonte. Todos os contratos de terceirizados tinham funcionários fantasmas”.
Os números sustentam a fala. Os seis hospitais — Andaraí, Bonsucesso, Cardoso Fontes, Ipanema, Lagoa e Servidores — receberam mais de R$ 3 bilhões entre 2019 e 2022. Auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Controladoria-Geral da União (CGU) identificaram sobrepreços de 57% em compras de insumos e medicamentos oncológicos, e a tentativa de comprar stents por R$ 7,5 milhões, quando custam cerca de R$ 30 mil. Em um contrato de limpeza, 200 postos previstos e 50 preenchidos.
Na CPI da Covid, em junho de 2021, o ex-governador Wilson Witzel cravou, diante de Flávio: “Tem um dono, e esta CPI pode descobrir quem é o dono”. Depois confirmou que o dono era o senador. Em 2026, até o pastor Otoni de Paula (PSD), de campo oposto, acusou Flávio de liderar o esquema. O mea-culpa veio no debate: “De fato, a saúde não foi uma área que a gente teve o melhor resultado. Eu faço aqui esse mea-culpa”.
Do mea-culpa ao STF
Lula cobrou no debate o pedágio ilegal cobrado de funcionários e pacientes do Cardoso Fontes para estacionar — Flávio reagiu acusando o presidente de “vomitando um monte de mentiras”. No fim de agosto, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a ampliação do inquérito de Flávio Dino para apurar a conduta do senador.
Enquanto isso, a reestruturação do governo Lula reabriu 335 leitos, elevou as cirurgias em 30% e o orçamento para R$ 2 bilhões por ano. A senha da matéria está na Defensoria Pública da União: “Quando a saúde é invadida pela política, ela se deteriora de um jeito absurdo”.

