O presidente neofascista dos EUA, Donald Trump, foi obrigado pelas circunstâncias a anunciar um cessar-fogo de dez dias entre Israel e Líbano. “Israel está proibido de bombardear. Chega”, disse ele. A trégua foi tratada por Teerã e pelo Hezbollah como resultado da resistência armada e da pressão política do chamado Eixo da Resistência. Na sequência do acordo, o Irã informou que o Estreito de Ormuz foi reaberto para navios comerciais pelo período restante do cessar-fogo, numa decisão ligada diretamente à retomada das negociações com Washington.
A movimentação expõe a fragilidade da narrativa de Trump, que tenta capitalizar politicamente uma trégua que não pacificou a região nem resolveu a guerra em curso. O ministro iraniano das Relações Exteriores, Seyed Abbas Araghchi, confirmou que a passagem para navios comerciais está “completamente aberta” durante o período restante do cessar-fogo. A medida tem impacto imediato sobre uma rota por onde circulam cerca de 20% do petróleo do planeta.
Trégua sob pressão
O governo iraniano e o Hezbollah afirmam que o cessar-fogo no Líbano decorre da união e da capacidade de combate do Eixo da Resistência, formado por grupos contrários à política da aliança neofascista (Estados Unidos e Israel) no Oriente Médio.
O chefe do Parlamento iraniano, Mohammed B. Ghalibaf, afirmou que “a Resistência e o Irã são uma só entidade, seja na guerra ou no cessar-fogo”. Já o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Ismail Baghaei, disse que o cessar-fogo foi fruto direto dos esforços diplomáticos de Teerã.
No lado libanês, o Hezbollah afirmou ter realizado 2.184 operações militares em 45 dias de combates. O partido militarizado também advertiu:
“Nossa mão permanecerá no gatilho em antecipação a qualquer violação ou traição pelo inimigo, enfatizando a adesão à opção de confronto e continuar a defender o país, e permanecer no pacto até o último suspiro”.
Israel segue sem cumprir
Enquanto Trump tenta vender o acordo como gesto de liderança, Israel continuava bombardeando o Líbano e resistia a qualquer compromisso real com a trégua. O próprio histórico da guerra mostra que acordos anteriores foram violados por Tel Aviv, inclusive o cessar-fogo costurado em novembro de 2024. Agora, o novo arranjo foi imposto sob pressão, sem garantir o fim da agressão nem o respeito às fronteiras libanesas.
Na prática, o que a Casa Branca apresenta como pacificação é mais um capítulo da velha diplomacia imperial: primeiro a ameaça, depois a chantagem, e por fim a tentativa de transformar recuo tático em vitória estratégica.






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