A escalada do conflito no Oriente Médio atingiu um novo nível de cinismo e perigo neste domingo (22), com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, transformando as redes sociais em campo de batalha. Após os ataques dos EUA às usinas nucleares iranianas no último sábado (21), Khamenei, com a imagem de um crânio com a Estrela de Davi, prometeu “punição” e chamou o “inimigo sionista” de criminoso.
A relevância dessa troca de farpas digital vai muito além das telas. Ela escancara a agenda oculta de Trump: a busca por uma “mudança de regime” no Irã. O presidente estadunidense, em sua linguagem chula, provocou: “se o atual regime iraniano não é capaz de TORNAR O IRÃ GRANDE NOVAMENTE, por que não haveria uma mudança de regime??? MAGA!!!”. Essa referência ao seu bordão “Make America Great Again” (MAGA) é um convite explícito à desestabilização e à ingerência em assuntos soberanos de outro país. É a velha tática imperialista que a Frente Livre sempre denuncia: justificar a guerra com retóricas baratas, visando o controle de recursos e a hegemonia política.
Conselho de Segurança da ONU: Show da hipocrisia e inação
Enquanto as redes sociais fervilhavam com ameaças e provocações, o Conselho de Segurança da ONU se reuniu no domingo para discutir o ataque dos EUA ao Irã. E o que vimos? O show de sempre. Representantes israelenses e iranianos trocaram acusações, ambos defendendo seu “direito à legítima defesa”, como se a balança da violência fosse equilibrada. Os Estados Unidos, com sua prepotência de sempre, reafirmaram a “necessidade” do ataque, sob a justificativa de frear o programa nuclear iraniano – a mesma desculpa usada para tantas outras intervenções desastrosas.
Países europeus, com sua falsa neutralidade, pediram “reabertura do diálogo” e “recuo” por parte do Irã, ignorando a agressão unilateral dos EUA. Já Rússia, China e Paquistão, com assento no conselho, repudiaram a ação dos Estados Unidos, mostrando a divisão do tabuleiro geopolítico global.
O resultado? A reunião terminou sem que nenhuma resolução fosse aprovada. Mais uma vez, o Conselho de Segurança se mostra um tigre de papel, incapaz de tomar medidas concretas para conter a escalada de violência e punir os verdadeiros agressores. A inação da ONU, nesse cenário de tensões crescentes, é um convite à barbárie e uma prova de que a “diplomacia” muitas vezes serve apenas para legitimar o status quo de poder e agressão.
[Retórica e Realidade no Conflito]
Fonte: Agência Brasil







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