Dólar
R$ 4.96 Desceu
Euro
5.804 Desceu
Brasília
26°C 26°C 17°C

Explore Mais

Colunas exclusivas e conteúdos especiais

Fabiana Bolsonaro
Fabiana Bolsonaro durante "performance" na tribuna da Assembleia Legislativa de São Paulo. Foto: RS/Fotos Públicas
BRASIL

Saiba o que estás por trás da cretinice de Fabiana Bolsonaro

Discurso contra Erika Hilton virou caricatura e indignação

A deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL) protagonizou na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) uma cena ridícula e desprezível de racismo e deboche político ao recorrer ao blackface para atacar a deputada federal Erika Hilton (Psol-SP). A performance, feita em plenário e sob aplausos da extrema direita, foi um ataque calculado, grotesco e intelectualmente miserável — uma tentativa barata de reduzir a luta antirracista e a identidade trans a uma caricatura de mau gosto.

Fabiana, que não tem parentesco com Jair Bolsonaro, adotou o sobrenome como estratégia política e é filha do pastor Adilson Barroso, fundador do antigo Partido Patriota, hoje PRD.

O caso foi tão chocante quanto grotesco. Fabiana subiu à tribuna com lápis de maquiagem marrom escuro e começou a se pintar diante dos colegas, do público e das câmeras. Rosto, ombros e braços foram cobertos enquanto ela discursava contra a presença de Erika Hilton na presidência da Comissão de Defesa dos Direitos das Mulheres da Câmara dos Deputados. A frase central da encenação resume o tamanho da canalhice: “Eu, sendo uma pessoa branca, vivendo tudo o que eu vivi como uma pessoa branca, agora aos 32 anos, decido me maquiar, me travestir como uma pessoa negra, me maquiando e deixando só o fora parecer. E aqui, eu pergunto: e agora? Eu virei negra?” — dita enquanto ela manipulava a própria aparência como se raça fosse fantasia e não uma experiência social marcada por violência, exclusão e história.

A comparação é indecente por definição. Uma mulher transexual não “decide virar mulher” como quem troca de roupa ou inventa um papel para irritar adversários. Ela é uma mulher que nasce em um corpo masculino e atravessa, desde cedo, uma experiência de conflito psíquico, rejeição familiar, humilhação pública, violência e risco de morte.

Reduzir isso a uma brincadeira de tribuna é não só ignorância; é crueldade deliberada. E, no caso de Erika Hilton, a violência ainda é dupla: ela é uma mulher trans, negra e pobre, o que a coloca na linha de frente do racismo estrutural e da exclusão de classe que a extrema direita finge não enxergar quando quer posar de vítima.

O gesto de Fabiana não foi uma “provocação” política. Foi uma peça de propaganda rasteira, feita para humilhar uma adversária e alimentar a plateia bolsonarista com um espetáculo de escárnio. A deputada tentou se esconder atrás da ideia de “representar” uma dor que nunca viveu, mas o que entregou foi o contrário: a demonstração explícita de que não entende o que significa ser negro no Brasil. O blackface sempre foi isso: a encenação do branco que acha que pode vestir o sofrimento do outro como fantasia, sem carregar junto o peso histórico da opressão que produziu esse sofrimento.

Denúncia no Conselho de Ética

A reação foi imediata porque o absurdo era incontornável. O ato gerou representação no Conselho de Ética da Alesp, foi denunciado como racismo e expôs o padrão já conhecido da extrema direita: quando falta argumento, sobra espetáculo; quando falta conteúdo, sobra agressão; quando o projeto político está ameaçado, entra em cena a cortina de fumaça. E essa é a parte mais reveladora do episódio.

Segundo a representação assinada por 18 parlamentares, a conduta foi “previamente concebida e intencional” e ultrapassa os limites da imunidade parlamentar.

A escandalização em torno de Erika Hilton não acontece no vácuo. Ela cumpre função política: desviar o foco do avanço das investigações sobre o Banco Master, das conexões com o bolsonarismo, com a ala evangélica da Lagoinha, inclusive seu “golden boy”, Nikolas Ferreira, e com nomes do Centrão que agora tentam se afastar do lodo antes que a delação de Daniel Vorcaro os alcance.

Mistura de fraude, política e religião

É por isso que o discurso de Fabiana Bolsonaro não é apenas ridículo. É conveniente. Serve à velha lógica da extrema direita brasileira: produzir barulho moral para encobrir sujeira material. Enquanto encenam indignação seletiva em plenário, tentam esconder a própria rede de compadrio com banqueiros investigados, pastores influentes e operadores políticos que misturam fé, crimes, dinheiro e blindagem institucional. O blackface na Alesp não foi um desvio; foi método. E o método é sempre o mesmo: humilhar publicamente, confundir o debate e ganhar tempo para ver se a realidade passa sem bater à porta.

O que Fabiana Bolsonaro fez na Alesp não foi protesto. Foi deboche. Foi oportunismo. Foi canalhice política travestida de argumento. E, como sempre, a extrema direita tenta vender a própria violência como “coragem” e a própria ignorância como “posição”.

No fundo, o episódio serve para duas coisas: tentar humilhar publicamente uma parlamentar negra e trans e produzir barulho suficiente para encobrir o que realmente interessa aos seus aliados — a rede de poder que mistura bolsonarismo, igrejas evengélicas, corrupção, Centrão e fraudes bilionárias.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Final da página
WhatsApp

Frente LIVRE

Normalmente responde dentro de uma hora
Frente LIVRE

Olá 👋

Fale com o ciberporto da esquerda popular ✊💡

20:57