A comemoração antecipada de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e seus aliados durante a apuração do segundo turno virou piada nacional depois da vitória do presidente Lula (PT), neste domingo (25). Quando o senador ultrapassou o petista, com cerca de 13% das urnas apuradas, o influenciador Pablo Marçal sacou o celular e gravou o QG em transe. “Passou, passou, passou!”, celebrou. Flávio sorriu, cumprimentou o anfitrião da festa e pediu “calma” — palavra que, ali, soava mais como pedido de empréstimo do que como prudência.
A festa durou o tempo de um café. Por volta das 20h28, com cerca de 48% das urnas contabilizadas, Lula retomou a liderança e não a entregou mais. Nada mais constrangedor do que um champanhe aberto na frente do país antes do resultado.
A fotografia do desmanche
cena que fecha o enredo é uma fotografia. O QG de Flávio registrou, no momento da virada, políticos como Nikolas Ferreira, Guilherme Derrite, André Fernandes e outros aliados com semblante fechado, olhando para as telas como quem percebe que o bolo era de aniversário errado.
Nas redes, a sequência virou meme imediato. “E o Pablo Marçal fazendo o Flávio e aliados comemorarem virada quando tinha 15% das urnas apuradas, hein? O orgulho, o ego e a soberba foram fatais. Mas o Marçal conseguiu fazer os caras passarem uma vergonha monumental”, escreveu o jornalista Allan dos Panos. Houve quem comparasse o registro ao QG de Aécio Neves após a derrota para Dilma Rousseff, em 2014 — o clássico do gênero “derrota com aplauso”.
O resultado e o pedido de anulação
Lula foi reeleito com 51,75% dos votos válidos, contra 48,25% de Flávio. Depois da derrota, o clima de celebração evaporou: o senador anunciou que pretende pedir a anulação da eleição. “As eleições deveriam ter sido anuladas. É impossível reconhecer o resultado”, afirmou.
A frase é a cereja do bolo. Quem festejou com 13% das urnas apuradas agora quer anular o placar de 100%. O QG comemorou antes, perdeu depois e, no fim, decidiu que a culpa é da contagem. Para a Frente Livre, o episódio é a síntese do projeto bolsonarista: comemora o que não aconteceu, nega o que aconteceu e, quando a urna fala, chama a urna de mentirosa. Ficam os memes — e o mandato do outro.
E o Pablo Marçal fazendo o Flávio e aliados comemorarem virada quando tinha 15% das urnas apuradas, hein?
O orgulho, o ego e a soberba foram fatais.
Mas o Marçal conseguiu fazer os caras passarem uma vergonha monumental. Kkk https://t.co/LbDyK4VQXt
— Allan dos Panos (@allandospanos) October 26, 2026

