Flávio tenta enterrar a 6×1, mas Lula luta e mantém projeto de pé

Obstrução bolsonarista falha; Mauro Mendes defende jornadas de trabalho de até 16 horas

Por Frente Livre
fim da escala 6x1
Cumprindo o acordo fechado antes da eleição, Alcolumbre tocou a primeira sessão de debates da PEC e garantiu a votação da proposta em primeiro turno. Foto: Agência Senado

O Senado começou nesta terça-feira (6), em sessão semipresencial e sem vozes contrárias, a discussão da proposta de emenda à Constituição (PEC 221) que põe fim a escala 6×1. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), prometeu levar a votação em primeiro turno à próxima semana. “Caso todos nós pudermos concluir as cinco sessões, vamos, na semana que vem, do ponto de vista regimental, colocar para sua deliberação em primeiro turno”, afirmou. Para virar lei, a PEC precisa ser votada em dois turnos. Sobre o segundo, pouco ainda se sabe. Um leão de cada vez.

fim da escala 6x1 Lula com o candidato do PT ao Governo do Distrito Federal, Leandro Grass, que disputa o segundo turno contra a bolsonarista Celina Leão: “O PL vai ter que dizer de público se é contra ou a favor o trabalhador. Aí as máscaras vão começar a cair”. Foto: Ricardo Stuckert

Obstrução frustrada

A oposição tentou impedir a sessão. Flávio Bolsonaro (PL) e o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de sua campanha, articularam para que aliados não registrassem presença e derrubassem o quórum. Falharam. Com 49 senadores, o número exato para validar o debate, a primeira das cinco sessões começou.

“A oposição liderada por Flávio Bolsonaro está obstruindo a sessão. Os bolsonaristas estão obstruindo a sessão. Eles não querem votar ao fim da escala 6×1”, conclamou o ministro José Guimarães, da Secretaria de Relações Institucionais do Palácio do Planalto.

O “absurdo” do patrão

Quem se coloca contra a proposta defende a agenda do patrão. O senador eleito por Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), empresário e ex-governador, chamou o fim da 6×1 de “muito ruim e grave para o país” e defendeu jornadas de até 16 horas, citando imigrantes brasileiros nos Estados Unidos como exemplo. “No Brasil, se um trabalhador trabalhar 11 horas por dia, o patrão, a empresa, vai ser processado por trabalho escravo. Olha que absurdo”, reclamou o aliado de Flávio.

Máscaras e constituição

Lula aceitou o confronto.

“O meu adversário vai ter que tomar uma decisão, se vai mandar a bancada do partido dele votar favorável ao fim da jornada de trabalho de 6×1. Na hora que o Senado começar a votar, as máscaras vão começar a cair. A gente vai ver quem efetivamente quer que o povo tenha uma vida digna, que descanse mais, que possa cuidar mais da família”, desafiou o presidente, para quem a PEC é “um primeiro teste para que o PL diga o que quer desse país”.

Flávio já se anuncia dono do Congresso: “Elegemos um Congresso muito mais à direita do que ele é hoje. Com maioria no Senado para fazer o presidente do Senado, com maioria na Câmara para fazer o presidente da Câmara, pra gente mudar a Constituição, pra gente redemocratizar esse país”.

 

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Na boca do candidato, “redemocratizar” quer dizer o contrário: enterrar a 6×1, aprovar o marco temporal e a PEC da Blindagem, também conhecida como PEC da Bandidagem — aquela que só permite investigação contra um congressista com autorização do próprio Congresso Nacional.

Pesquisa aponta apoio de 78% dos brasileiros ao fim da escala 6×1. A direita quer 16 horas de trabalho. As máscaras, como prometeu Lula, vão cair. Resta saber de que lado Alcolumbre estará quando elas caírem.

 

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