A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que põe fim a escala 6×1, é votada nesta quarta-feira (14) no Senado Federal. Flávio Bolsonaro, o fascista candidato do Partido Liberal (PL), entra na sessão de teatro: anuncia voto favorável, promete rever a medida se eleito e assina a PEC que paga por hora e mata a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
A conversão de fachada
A conversão veio na terça (13), após visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso em domicílio por tentativa de golpe de Estado. Flávio anunciou o voto ao deixar a casa do pai: “A maioria dos trabalhadores brasileiros querem o fim da 6×1, então vou votar a favor”. Não é preciso ouvir a conversa para decifrar o conselho do presidiário golpista: votar contra, a onze dias do segundo turno, escancararia o que o filho é — contra o trabalhador, ao lado do patrão. Votar a favor não arranha o compromisso com o empresariado: custa nada, rende voto.
À noite, em São Paulo, disse a empresários da indústria, do comércio e do agronegócio que, eleito, vai revisar o fim da 6×1. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) é contra. Pela manhã, escorregou: “A gente defende algo ainda melhor. Eu queria a liberdade pro trabalhador montar sua escala de trabalho”.
As manobras para adiar
Parlamentares denunciam a estratégia bolsonarista: o senador Rogério Marinho (PL), coordenador da campanha e relator da reforma trabalhista de 2017, apresentou 36 emendas à PEC — todas rejeitadas. O plano é forçar o retorno do texto à Câmara. A deputada Daiana dos Santos resume: “Flávio Bolsonaro mudou o discurso, mas nós sabemos o que ele realmente quer”. O deputado Reginaldo Lopes (PT), autor da proposta, desmonta a adesão: “A pressão das ruas e das redes levou, inclusive, à mudança de posição, lógico, de maneira dissimulada, provisória e demagógica, do candidato Flávio Bolsonaro”.
A PEC que ele assina
Enquanto ensaia o “sim” ao projeto que acaba com a escala 6×1, Flávio assina a PEC 12/2026, a PEC do Patrão, também chamada de PEC da escala 7×0. O texto altera o artigo 7º da Constituição: pagamento exclusivo por hora efetivamente trabalhada, 13º, férias e Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) proporcionais e contrato individual no lugar dos acordos coletivos. Morre o salário fixo, morre a 5×2 aprovada por Lula. Eleito, basta a jornada flexível para enterrar a CLT. O voto de hoje é cenário. O presidente Lula avisou que a máscara vai cair — caiu antes do previsto.
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