Integrantes do clã Bolsonaro possuem uma extensa relação com suspeitos de envolvimento no crime organizado, em especial milícias do Rio de Janeiro. O levantamento da Folha de S.Paulo foi publicado em meio à comemoração de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) diante da decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, após reunião do senador com o presidente Donald Trump.
Flávio Bolsonaro (PL) e seu pai mantiveram aliados acusados de elo com organizações criminosas antes de defenderem o enquadramento das facções brasileiras como terroristas. A assessoria do senador afirmou que “a família Bolsonaro e Flávio Bolsonaro não compactuam com facções ou grupos armados e criminosos” e atacou o governo Lula.
Adriano da Nóbrega, ex-policial militar apontado pelo Ministério Público como integrante da milícia de Rio das Pedras e do grupo de extermínio Escritório do Crime, recebeu a Medalha Tiradentes em 2005, por iniciativa de Flávio Bolsonaro, então deputado estadual. Em 2003, o político já havia feito uma homenagem a Nóbrega, que, segundo Jair Bolsonaro disse à imprensa em 2020, teria ocorrido a pedido dele.
Raimunda Veras Magalhães e Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, mãe e esposa de Adriano da Nóbrega, foram empregadas no gabinete do filho de Jair Bolsonaro na Alerj até 2018. De acordo com o Ministério Público do Rio de Janeiro, elas estavam envolvidas no caso das “rachadinhas”. As investigações foram encerradas depois que STF e STJ anularam provas coletadas. Flávio Bolsonaro sempre negou as acusações.

O ex-Policial Militar Adriano da Nobrega. Foto: Reprodução
Em declarações sobre milícias, Jair Bolsonaro afirmou que, “naquela região onde a milícia é paga, não tem violência”. Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente e pré-candidato à Presidência, chamou as milícias de “nova forma de policiamento, entre aspas”, em discurso na Alerj em 2007, e disse que “não raro é constatada” a felicidade de moradores de comunidades dominadas por esses grupos.
Flávio Bolsonaro também tinha relação próxima com Rodrigo Bacellar, que se aproximou da família Bolsonaro a partir de 2024 e chegou a ser tratado como nome para suceder Cláudio Castro (PL) no governo do Rio de Janeiro. Bacellar acabou perdendo o mandato e sendo preso por suspeita de integrar uma organização criminosa e vazar informações para beneficiar o Comando Vermelho.
A ligação do senador e pré-candidato à Presidência com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro acusado de crimes ligados ao Banco Master, foi revelada por meio de áudio divulgado pelo Intercept Brasil no começo de maio. O registro mostrou contato de Flávio Bolsonaro com Vorcaro.
O senador teria combinado pagamento para o filme “Dark Horse”, sobre seu pai, Jair Bolsonaro. Flávio Bolsonaro afirmou que o dono do Master pagou cerca de R$ 60 milhões pelo longa e disse ter cobrado parcelas restantes por se tratar, segundo ele, de recursos privados.




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