O senador e pré-candidato neofascista à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), conseguiu o que parecia impossível em apenas uma semana: unir o Supremo Tribunal Federal (STF), grande parte dos eleitores de direita e os evangélicos admiradores da madrasta Michelle Bolsonaro contra sua candidatura. Enquanto isso, o pai golpista, Jair Bolsonaro, alega ao STF que “jamais soube” que a carta em que pedia apoio ao filho seria divulgada — numa demonstração de desconhecimento que parece ser a única coisa unânime no clã.
A defesa do ex-presidente protocolou nesta quarta-feira (15) uma petição em que afirma que Jair Bolsonaro “jamais soube que a carta seria publicizada, tampouco houve qualquer orientação, ajuste ou combinação prévia acerca da utilização de redes sociais para esse fim”. O documento foi enviado ao ministro Alexandre de Moraes, que já havia suspendido as visitas de Flávio ao pai por 90 dias e dado 48 horas para esclarecimentos.
O detalhe que a defesa tenta esconder: entre os advogados que assinam a petição está o próprio Flávio Bolsonaro, regularmente inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil. O mesmo Flávio que, no vídeo em que leu a carta, afirmou que “estava divulgando uma mensagem que Jair Bolsonaro gostaria que as pessoas soubessem”. A contradição é tão escancarada que nem o Supremo precisará de lupa para enxergar.
Quaest: a direita não bolsonarista está desertando
Enquanto a defesa tenta apagar o incêndio no STF, a pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (15) mostrou o tamanho do estrago eleitoral. Flávio Bolsonaro perdeu apoio entre eleitores que se declaram de direita, mas não são bolsonaristas. O índice caiu de 74% em maio para 54% na rodada atual.
O diretor da Quaest, Felipe Nunes, foi direto ao explicar a queda: “Depois do caso ‘Dark Horse’, as coisas mudaram significativamente. Quem está abandonando o Flávio? A direita não bolsonarista.” Entre os bolsonaristas raiz, a fidelidade segue acima de 90% — mas isso não ganha eleição.
No eleitorado total, Lula (PT) lidera com 40%, contra 28% de Flávio. A rejeição ao senador bate em 51%, número que inviabiliza qualquer candidatura presidencial. Os indecisos subiram de 5% em maio para 11% agora — sinal de que o eleitorado começa a duvidar da viabilidade do Zero Um.
O dado mais cruel para Flávio veio do confronto direto com a madrasta: 42% dos entrevistados apoiam Michelle Bolsonaro em uma eventual disputa com o enteado, contra apenas 18% que ficam com o senador. Quarenta e cinco por cento avaliam que Michelle acertou ao divulgar as críticas públicas a Flávio.
Michelle, a carta e o STF: o triângulo da desgraça
A crise familiar que parecia um problema menor se transformou no epicentro do colapso da candidatura. Michelle deixou a presidência do PL Mulher após o desentendimento público, em que acusou Flávio de humilhá-la e maltratá-la. A carta de Jair, lida por Flávio no sábado (11), foi a tentativa desesperada de conter o racha — mas produziu o efeito contrário.
Além de não reconciliar ninguém, a carta levou Moraes a suspender as visitas de Flávio ao pai e abrir uma investigação sobre possível descumprimento das medidas cautelares que proíbem Bolsonaro de usar terceiros para transmitir manifestações públicas. A defesa alega que Bolsonaro “jamais vislumbrou qualquer incompatibilidade entre a redação de uma carta com as restrições impostas”. O STF deve decidir nos próximos dias.
O resultado é uma candidatura que sangra por todos os lados: o eleitorado de direita está desertando, a família está rachada, a Justiça está apertando o cerco e o principal cabo eleitoral — o pai presidiário — está cada vez mais isolado. Flávio Bolsonaro queria ser presidente. Pelo andar da carruagem, vai ter sorte se chegar até a eleição com a candidatura inteira.






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