O senador neofascista e suspeito de corrupção Flávio Bolsonaro (PL) está oficialmente isolado na corrida presidencial. Em menos de uma semana, quatro siglas do chamado centrão — Podemos, Progressistas (PP), União Brasil e Republicanos — bateram a porta na cara do candidato do PL, confirmando neutralidade na disputa pelo Palácio do Planalto.
O golpe mais recente veio nesta terça-feira (4). O Republicanos, partido ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, oficializou em convenção em Brasília a decisão de não compor chapa com Flávio. Segundo o presidente nacional da legenda, deputado Marcos Pereira (SP), 17 dos 27 diretórios estaduais defenderam a neutralidade. Outros nove se posicionaram a favor do apoio ao candidato do PL e um manifestou preferência pela reeleição de Lula.
A decisão frustra a aposta da campanha de Flávio, que queria a economista Daniella Marques (Republicanos) como vice. Sem coligação, o candidato do PL deve ter 20% a menos de tempo de televisão do que o presidente Lula, líder nas pesquisas de intenção de voto.

Marcos Pereira (E) com Cleitinho em lágrimas: senador fez que foi mas não foi, acabou não indo mesmo e deixou os Bolsonaros sem palanque no segundo maior colégio eleitoral do país. Foto: RS/Fotos Públicas
Nem o fundo eleitoral convence
Antes do Republicanos, foi a vez do Podemos recusar a oferta. O PL tentou atrair a legenda e chegou a sondar a possibilidade de a presidente do partido, a deputada Renata Abreu, ser a vice na chapa. A ideia, segundo aliados, foi dada pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), que intermediou um encontro de Abreu com Flávio na última sexta-feira (31).
O PL chegou a oferecer ajuda com o fundo eleitoral — a sigla tem a maior fatia da verba, com R$ 881,6 milhões. Mas Renata Abreu consultou os diretórios do Podemos e ouviu da maioria, na segunda-feira (3), a preferência pela neutralidade. Os filiados ficam livres para apoiar o candidato com quem tenham mais afinidade.
O PP que não abre mão
O Progressistas também fechou as portas. Consultados entre quarta (29) e quinta (30), a maioria dos dirigentes estaduais reafirmou ao presidente do partido, senador Ciro Nogueira (PI), a preferência pela neutralidade. Em Pernambuco, na Paraíba e no Maranhão, a sigla busca alinhamento com Lula. Em estados como Paraná e São Paulo, segue ao lado de Flávio.
O deputado federal Eduardo da Fonte (PP-PE) foi categórico: “Votei pela neutralidade e não abro mão. Não tem mais prazo para convocar convenção nacional e, sem unanimidade do partido, não tem convocação. Logo, não há mais chance de indicar vice.”
A senadora Tereza Cristina (PP), que chegou a sinalizar aceitar a vice, esbarrou na decisão do próprio partido. O PP formou uma federação com o União Brasil, e a aliança dependeria do aval das duas siglas.
O União Brasil no palanque deserto
A federação União Brasil-PP já havia comunicado ao PL sua recusa por uma aliança formal. O União Brasil desembarcou do palanque de Flávio no Rio de Janeiro e realizou convenção nacional nesta semana para testar a neutralidade do bloco.
O resultado é um retrato do isolamento do candidato: o centrão, historicamente pragmático e sempre disposto a negociar com quem está no poder, não quer nem sentar à mesa com Flávio. Nem com fundo eleitoral, nem com vice, nem com promessas de cargos.
O naufrágio anunciado
A situação de Flávio é um desastre em cadeia. Em Minas Gerais, perdeu um cabo eleitoral com a decisão do Republicanos de não lançar o senador Cleitinho Azevedo ao governo — o favorito nas pesquisas. No Rio, o União Brasil desembarcou do palanque. E agora, sem coligação, enfrenta Lula com 20% a menos de tempo de TV.
O centrão, que apoiou Jair Bolsonaro até o fim, agora foge do filho como quem foge de um incêndio. Não é ideologia. É instinto de sobrevivência política. Até os partidos mais pragmáticos do país, que negociam com qualquer um, perceberam que Flávio é um mau negócio. E quando o centrão diz não, o naufrágio é anunciado.





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