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Flávio naufraga candidatura
Flávio Bolsonaro, que já foi flagrado pedindo e recebendo dinheiro de Daniel Vorcaro, agora não consegue explicar notas fiscais emitidas contra empresas do grupo Master. Foto: Reprodução Redes Sociais
BRASIL

Abandonado e sob investigação, Flávio naufraga

PP e União Brasil declaram neutralidade; PT aciona TSE contra senador

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) conseguiu em 24 horas o que parecia impossível: unir cinco notícias diferentes em torno de um mesmo tema — o naufrágio da própria candidatura à Presidência. Enquanto tenta explicar notas fiscais de R$ 1,5 milhão emitidas por seu escritório de advocacia para empresas ligadas ao esquema do Banco Master, o pré-candidato neofascista viu dois partidos abandonarem sua aliança, o PT acioná-lo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por mentir sobre urnas eletrônicas e uma análise de redes sociais confirmar que sua imagem só piora entre os brasileiros.

As notas que não calam

Na quarta-feira (22), revelou-se que o escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro — formalizado em Brasília em 16 de abril de 2021 — emitiu três notas fiscais para empresas ligadas a Rogério Lourenço Novo, diretor da Copenhagen Assessoria e Consultoria S.A., que integra o conglomerado do Banco Master de Daniel Vorcaro.

Duas notas, de R$ 500 mil cada, foram emitidas em 7 de abril de 2025 para a Copenhagen. Foram canceladas no mesmo dia. Uma terceira nota, também de R$ 500 mil, foi emitida em 9 de abril de 2025 para a Contabil Correa Contabilidade & Auditoria LTDA — e essa não foi cancelada. Total: R$ 1,5 milhão em notas fiscais.

Flávio gravou um vídeo para se explicar e conseguiu a proeza de piorar a própria situação. Disse que prestou “serviços advocatícios” para a Contabil Correa, que “tudo certo, relação completamente legal e privada”. Sobre as notas canceladas da Copenhagen, afirmou que “não aceitou trabalhar” para a empresa. Não explicou, no entanto, por que emitiu as notas antes de recusar o serviço, nem qual era a natureza do trabalho que rejeitou.

O resultado foi um depoimento enrolado em que o senador alterna acusações de “matéria criminosa” contra a imprensa, alegações de quebra de sigilo sem autorização judicial e a afirmação — já clássica no clã — de que “não é investigado em nada”. O problema é que a Copenhagen é apontada pela Polícia Federal como empresa por onde passavam recursos do esquema de Vorcaro, e o diretor da empresa, Artur Martins de Figueiredo, é descrito pela PF como “responsável pela execução técnica das movimentações e pelos ajustes contábeis” do esquema.

O abandono dos aliados

Enquanto Flávio se enrolava em vídeo, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Progressistas, comunicou ao pré-candidato que a federação formada por PP e União Brasil adotará neutralidade no primeiro turno da eleição presidencial. Ou seja, o Centrão vai se aninhar no muro das lamentações. A mesma posição pode se repetir em um eventual segundo turno.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS), convidada para ocupar a vaga de vice na chapa, também disse não. O comando da pré-campanha pretende insistir até 5 de agosto, prazo final das coligações, enquanto espera melhora nas intenções de voto — que não vêm.

Segundo uma fonte do Centrão, a relação de Ciro Nogueira com Flávio azedou porque o presidente do PP reclama que o senador do PL não saiu em sua defesa quando a Polícia Federal realizou uma operação que o atingiu. Além disso, dirigentes das siglas temem o surgimento de novas acusações ligando o pré-candidato a Daniel Vorcaro.

Flávio agora tenta negociar com o Republicanos, mas enfrenta obstáculos: a sigla sinaliza neutralidade e reclama que o PL não quer apoiar seus candidatos a governador em estados como Mato Grosso, Roraima e Acre.

O isolamento é a foto da campanha.

O PT no TSE e as redes que viram

A Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB) entrou com representação no Tribunal Superior Eleitoral contra Flávio Bolsonaro por divulgar informação falsa sobre as urnas eletrônicas. O senador afirmou que as urnas brasileiras foram produzidas pela empresa venezuelana Smartmatic — informação já desmentida pelo TSE, que nunca utilizou a empresa. Os advogados da federação pedem multa de R$ 30 mil contra o senador e a remoção das postagens. A ação também cita os deputados neofascistas Gustavo Gayer (PL-GO), Júlia Zanata (PL-SC) e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro por articularem desinformação.

Paralelamente, análise do Instituto Democracia em Xeque mostra que a imagem de Flávio nas redes sociais só piora. Fabiano Garrido, diretor-executivo do instituto, afirma que a tendência negativa para Flávio predomina desde o episódio do Dark Horse e que, na última semana, “a campanha e a militância digital de Flávio Bolsonaro se viram envolvidas em agendas defensivas, como a foto com o Sicário, a proibição de visita ao pai por descumprimento de ordem judicial, a responsabilização pelo tarifaço e o questionamento de instituto de pesquisa”.

Enquanto isso, Lula e seus apoiadores concentraram esforços na divulgação das entregas do governo e na ironização do senador por meio da alcunha “Tariflávio”.

O naufrágio completo

Flávio Bolsonaro não consegue fechar aliança, não consegue explicar as próprias notas fiscais, não consegue parar de mentir sobre urnas, não consegue melhorar a imagem nas redes e não consegue se livrar do fantasma de Daniel Vorcaro. PP e União Brasil fugiram. Tereza Cristina disse não. O Republicanos fala em neutralidade. O PT pede multa. As redes o enterram. A foto com o Sicário não sai do noticiário. O iCloud do miliciano está aberto.

Faltam dois dias para a convenção que deve oficializar sua candidatura. O candidato que o bolsonarismo quer lançar à Presidência não tem vice, não tem partido aliado, não tem explicação crível e não tem paz. Tem, isso sim, uma pilha crescente de notas fiscais, processos e aliados desertando.

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