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fraude no INSS
Senador Weverton Rocha (PDT-MA) teve parentes como alvo da operação da PF. O advogado Willer Tomaz (detalhe), amigo de Flávio Bolsonaro, teve dinheiro e máquina de contar cédulas apreendidos. Fotos: Agência Senado
BRASIL

PF mira amigo de Flávio e parentes de Weverton

Havia pilhas de dinheiro e máquina de contar cédulas

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira (4) uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro ligadas ao roubo de aposentadorias mediante fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). E a cena encontrada pelos agentes parece tirada de filme de máfia: pilhas de dinheiro em espécie e uma máquina de contar cédulas no escritório de um advogado amigo de Flávio Bolsonaro (PL).

Ao todo, 18 mandados de busca e apreensão foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e cumpridos no Distrito Federal e no Maranhão. Os principais alvos são o advogado e empresário Willer Tomaz e parentes do senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo.

O amigo do candidato e os R$ 45,5 milhões

Willer Tomaz não é um desconhecido das autoridades. A proximidade com Flávio Bolsonaro é pública: durante a CPI da Covid, em 2021, o senador se referiu ao advogado como “meu amigo”. Depois, os dois viajaram juntos à Flórida, nos Estados Unidos, em um jatinho dos donos do laboratório União Química.

Um relatório da Polícia Federal atribui a Tomaz movimentações financeiras consideradas atípicas que somam R$ 45,5 milhões entre maio e novembro de 2021. O documento também registra uma transferência de R$ 120 mil feita por ele, em 2021, a Milton Salvador de Almeida Júnior, investigado por suposta participação no esquema. Em 2024, Milton se tornou diretor de empresas de Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontado pela corporação como principal operador das fraudes.

O currículo de Tomaz com a Justiça não é novo. Ele já respondeu a investigação em um desdobramento da Operação Lava Jato e foi preso preventivamente em 2017 após citações de executivos da J&F. A denúncia foi rejeitada por falta de provas.

A defesa que culpa o avião

Em nota, a defesa de Tomaz afirmou que a busca decorre exclusivamente do fato de ele ser dono da aeronave usada pelo senador Weverton Rocha em uma viagem já conhecida publicamente. “A disponibilização da aeronave teve caráter pessoal e amistoso, sem qualquer relação com os fatos investigados”, diz o texto, que ainda sustenta que o advogado “não é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto e não possui qualquer vínculo com o esquema de fraudes”.

A explicação é curiosa: a PF teria encontrado pilhas de dinheiro e uma máquina de contar cédulas no escritório de alguém que, segundo a própria defesa, só emprestou um avião. Amizade com senadores, jatinhos para a Flórida e R$ 45,5 milhões em movimentações atípicas — mas o dinheiro vivo, claro, é só coincidência.

A filha do senador e o Careca do INSS

A operação também alcançou familiares de Weverton Rocha. A PF chegou a informar inicialmente que o senador era alvo, mas corrigiu a informação pouco depois — ele não figura entre os alvos dos mandados.

Os investigadores apuram se recursos teriam sido ocultados por meio de pessoas físicas e jurídicas, contas bancárias de terceiros, empresas e operações com dinheiro em espécie. Em janeiro deste ano, a Folha mostrou que um ex-funcionário do Careca do INSS disse em depoimento à PF que uma filha do senador viajou em uma aeronave do empresário, em fevereiro de 2024, no aeroporto Catarina, em São Roque (SP).

O primeiro inquérito da Operação Sem Desconto já foi concluído com 48 indiciamentos relacionados à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer). Esta nova etapa concentra-se especificamente na lavagem de dinheiro.

O dinheiro dos aposentados

Enquanto isso, o candidato da extrema direita à Presidência tenta explicar por que seu “amigo” guardava pilhas de dinheiro em casa. E o vice-líder do governo vê parentes na mira da Polícia Federal. O esquema, lembre-se, roubava de aposentados — dos mais vulneráveis do país, que tiveram descontos indevidos em benefícios que mal dão para sobreviver.

A máquina de contar cédulas apreendida não conta votos. Conta dinheiro. Dinheiro que saiu do bolso de quem mais precisava. E o círculo dos investigados, mais uma vez, passa perto demais dos neofascistas brasileiros que estão buscando o poder.

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