A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram, nesta terça-feira (17), uma nova fase da Operação Sem Desconto, que tem como alvo principal a deputada federal Greyce Elias (MDB-MG). A parlamentar, que ganhou projeção como aliada do ex-presidente Jair Bolsonaro enquanto integrava o PL, é investigada por suposto envolvimento em um esquema de desvios de recursos e fraudes em descontos de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Greice Elias é líder da bancada evangélica na Câmara.
A ação cumpre mandados de busca e apreensão autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), dada a prerrogativa de foro da deputada. Os investigadores buscam desarticular uma organização criminosa que utilizava associações de fachada para realizar descontos indevidos e não autorizados diretamente nas folhas de pagamento de aposentados e pensionistas. O prejuízo aos cofres públicos e aos segurados ainda está sendo contabilizado, mas a PF aponta que o volume de recursos movimentados pelo esquema é expressivo.
Esquema de associações na mira
A Operação Sem Desconto foca no modus operandi de entidades que firmavam convênios irregulares com o INSS para oferecer serviços que nunca eram prestados, mantendo as cobranças mensais sem o consentimento dos beneficiários. Greyce Elias, que trocou o PL pelo MDB em uma movimentação política recente, é suspeita de utilizar sua influência parlamentar para facilitar a manutenção desses contratos e a liberação de fluxos financeiros dentro da autarquia previdenciária.
A defesa da deputada Greyce Elias ainda não se manifestou oficialmente sobre as buscas realizadas em seus endereços. O MDB, partido ao qual a parlamentar se filiou após deixar a base bolsonarista, informou que aguarda o acesso aos autos para tomar providências internas. A operação segue em andamento para identificar outros agentes públicos e operadores financeiros que sustentavam a rede de corrupção no órgão.
Tornozeleira em outra deputada
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, determinou a instalação de tornozeleira eletrônica na deputada federal Gorete Pereira (MDB-CE), após a Polícia Federal (PF) identificar indícios de que a parlamentar utilizou recursos desviados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para adquirir um apartamento de R$ 4 milhões e um veículo de luxo.
Apesar de negar o pedido de prisão preventiva apresentado pela PF e pelo Ministério Público Federal (MPF), o magistrado impôs o monitoramento eletrônico e outras medidas cautelares para evitar a dilapidação de patrimônio e a obstrução das investigações da Operação Sem Desconto.
A decisão fundamenta-se em planilhas que apontam o recebimento de propinas e o uso de empresas de fachada pela deputada, que manteria articulação direta com servidores da autarquia para viabilizar descontos indevidos em benefícios previdenciários.






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