O cerco em torno do Banco Master ganhou novos contornos nas últimas 24 horas, expondo uma teia de omissões regulatórias, fugas estratégicas e conexões políticas. O dono da instituição, Daniel Vorcaro, protagonizou o episódio mais emblemático da semana ao não comparecer ao seu depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. Amparado por um habeas corpus concedido pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), Vorcaro transformou sua ausência em uma clara operação de contenção de danos, gerando indignação entre os parlamentares.
O presidente da comissão, senador Carlos Viana, descartou a possibilidade de realizar uma oitiva a portas fechadas em São Paulo e prometeu lutar para que o banqueiro seja obrigado a depor presencialmente em Brasília. A manobra de Vorcaro ocorre no exato momento em que três comissões no Senado — a de Assuntos Econômicos (CAE), a CPMI do INSS e a CPI do Crime Organizado — atuam de forma simultânea para driblar a não instalação de uma CPI exclusiva para investigar o caso Master.
O elo político e a quebra do Banco Pleno
Enquanto Vorcaro foge dos holofotes no Congresso, o mercado financeiro absorve o impacto da liquidação do Banco Pleno, controlado por Augusto Ferreira Lima, seu ex-sócio no Master. A quebra da instituição não é apenas um detalhe financeiro, mas a chave que abriu a caixa-preta das conexões políticas do esquema.
A liquidação expôs um suposto esquema de crédito consignado, operado por meio do cartão Credcesta, que teve origem nos governos do Partido dos Trabalhadores (PT) na Bahia. As investigações apontam que o senador Jaques Wagner e o ministro da Casa Civil, Rui Costa, teriam atuado para beneficiar as operações durante suas gestões no estado, reacendendo o elo político que sustenta as fraudes.
Omissão regulatória e o rombo histórico
O desastre financeiro também colocou o Banco Central (BC) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no centro das críticas. Especialistas apontam que a regulação permissiva e a lentidão das autarquias permitiram que a fraude atingisse proporções sistêmicas. O resultado da omissão é o maior desembolso da história do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), estimado em assustadores R$ 40,6 bilhões para cobrir os clientes do Master e R$ 4,9 bilhões para os do Pleno.
Em depoimento à CAE, o presidente interino da CVM, João Accioly, tentou blindar a autarquia. Ele afirmou que a comissão já havia comunicado indícios de gestão fraudulenta ao Ministério Público Federal e ao BC meses antes da deflagração da Operação Compliance Zero. Accioly revelou o caso da empresa Laqus, que teria emitido R$ 2,1 bilhões em notas comerciais sem lastro. Esses papéis foram adquiridos por um fundo exclusivo do Master com o único propósito de inflar artificialmente o patrimônio do banco.
PF avança com o STF
Apesar das manobras no Congresso, as investigações ganharam novo fôlego no STF. O ministro André Mendonça, que assumiu a relatoria no lugar de Dias Toffoli, reuniu-se com a Polícia Federal e determinou a retomada do fluxo ordinário de perícias e depoimentos, derrubando restrições que travavam o caso.
A Operação Compliance Zero segue como a principal frente investigativa. Em suas duas fases, a PF já apreendeu 52 celulares, mais de R$ 2,6 milhões em espécie, além de aeronaves e veículos de luxo. A lista de alvos, que já conta com 13 pessoas com mandados de prisão ou busca e apreensão, foi ampliada e agora inclui não apenas Vorcaro e Augusto Lima, mas também o empresário Nelson Tanure e Fabiano Zettel, cunhado do dono do Master.






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