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GEOPOLÍTICA

Gelo quebrado: o fim do tarifaço de Trump?

Encontro na Casa Branca abre caminho para reverter tarifas e agendar reunião entre Lula e Trump

Brasil e Estados Unidos deram um passo decisivo para a reaproximação diplomática após meses de tensão. Em uma reunião de alto nível em Washington, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, concordaram em estabelecer uma agenda para reverter as tarifas de 50% impostas por Donald Trump a produtos brasileiros. Um novo encontro para dar seguimento às negociações já está previsto para novembro.

Vieira classificou a conversa como “muito produtiva” e destacou a “atitude construtiva” de ambas as partes. Ficou definido que equipes técnicas dos dois governos iniciarão em breve as negociações para desmontar o chamado “tarifaço”. Além disso, o chanceler confirmou o interesse mútuo em um encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, embora a data e o local ainda dependam da compatibilidade de agendas.

A crise diplomática teve início quando o governo Trump justificou as sanções econômicas como uma resposta à suposta “politização” do Judiciário brasileiro, citando a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro. O encontro entre Vieira e Rubio é o primeiro em nível ministerial desde que Trump reassumiu a presidência e sinaliza uma abertura para normalizar o comércio bilateral, um processo iniciado com uma breve conversa entre os presidentes na Assembleia Geral da ONU, em setembro.

Rubio, porém, afirmou que apenas Trump tem autoridade para decidir sobre a suspensão das medidas, adotadas por motivos econômicos e políticos.

A chantagem acabou, por ora

Para Paulo Borba Casella, professor titular de Direito Internacional Público da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), o primeiro sinal positivo da reunião entre os representantes de Brasil e Estados Unidos é o caminho livre para colocar fim à chantagem bolsonarista.

“O que eu acho mais positivo é que em vez de trocas de acusações infundadas e abusivas, como nós tivemos algumas semanas atrás, inclusive o próprio Marco Rubio, falando que o Brasil não era um bom parceiro comercial, com uma linguagem “trumpiana”… [foi] o fato de sentar e conversar e dizer: “Temos uma pauta e precisamos fazer outros encontros para trabalhar”. Isso é ótimo. [E é ótimo também] que a questão do julgamento de [Jair] Bolsonaro fique completamente fora dessa discussão como tem que ser”, avalia o professor. 

“O que esse resumo da conversa, bastante anódino e pasteurizado no linguajar, mostra é o seguinte: sentaram, conversaram, o Brasil reiterou a pauta que é a remoção da chantagem tarifária e das sanções contra autoridades brasileiras”, resumiu.

Casella considera que a disposição do governo estadunidense em dialogar não está pautada por uma mudança de perspectiva político ideológica, mas por razões concretas de cunho econômico, que alteram a política interna dos Estados Unidos. 

“Se os americanos estão sentando para conversar, é porque essas tarifas já começaram a doer no calo do consumidor que está pagando mais caro pelos produtos que são onerados. Então isso é ruim para o exportador, mas é ruim para o mercado interno. E o consumidor é também eleitor e eles têm que se preocupar com os eleitores deles”, aponta o professor. 

Para Casella, o Brasil possui um trunfo nas negociações comerciais com os Estados Unidos que pode enterrar de vez a chantagem em torno de uma suposta anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro, o que tem sido articulado por seu filho, Eduardo Bolsonaro, que segue nos Estados Unidos, tendo, para isso, abandonado o mandato parlamentar. 

“É tão descabido o que foi feito pelo governo dos EUA, que eles estão tentando de alguma forma reabrir o diálogo. Não esqueçamos o interesse estratégico dos Estados Unidos, com a China endurecendo a posição em relação às terras raras. O Brasil tem a segunda maior jazida do mundo depois da China”, destaca o professor.  

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