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BRASIL

Haddad mira bilionários: nova MP taxará ricos e não mexe com salário de trabalhador

Ministro da Fazenda propõe corte em isenções e alíquota única no mercado financeiro e nas bets

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou nesta terça-feira (10) que a nova medida provisória elaborada com o Congresso vai mirar diretamente o topo da pirâmide social. Segundo ele, assalariados e os mais pobres não sofrerão qualquer aumento de impostos. “Essas medidas atingem os moradores de cobertura”, disse o ministro, em tom direto, após reunião com o presidente Lula no Palácio do Planalto. “Não mexem com o dia a dia da população.”

As propostas discutidas preveem o fim de isenções fiscais bilionárias e a aplicação de uma alíquota única de 17,5% sobre operações financeiras – inclusive sobre apostas online, as chamadas bets. Segundo Haddad, o objetivo é corrigir distorções que favorecem poucos e pressionam o orçamento público. “Estamos falando da parcela do mercado financeiro que paga pouco ou nada de imposto, enquanto o trabalhador segue arcando com tudo.”

A medida é apresentada como alternativa ao aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), que havia sido ventilado anteriormente, mas foi rejeitado por atingir todos os contribuintes indiscriminadamente.

Hoje, o Brasil concede cerca de R$ 800 bilhões por ano em isenções fiscais — dinheiro que deixa de entrar nos cofres públicos, muitas vezes sem garantia de retorno social. Haddad propôs uma redução linear de 10% nessas renúncias. Segundo ele, parte significativa dessas isenções não cumpre a promessa de gerar empregos ou proteger o trabalhador, servindo apenas para inflar lucros de grandes conglomerados empresariais.

“A elite que cobra corte de gasto público não quer abrir mão das próprias isenções. Isso é insustentável”, afirmou o ministro. Com o novo modelo, operações financeiras hoje isentas – muitas delas de altíssima rentabilidade – passarão a pagar imposto. A alíquota de 17,5% é uma média entre os atuais percentuais de 15% a 22% cobrados sobre alguns produtos do mercado financeiro.

Além disso, Haddad confirmou a criação de uma comissão conjunta com o Congresso Nacional para estudar ajustes nos gastos públicos. A ideia é abrir caminho para reformas estruturais, com foco na justiça fiscal e na estabilidade de longo prazo das contas públicas.


[Como outros países tratam isenções fiscais e taxação de rendas altas]

País Política de isenções fiscais Tributação de operações financeiras
Brasil R$ 800 bi/ano em isenções, sem contrapartida Alíquotas variam (15-22%), com brechas isentas
França Redução de isenções após 2020 Taxa fixa de 30% sobre ganhos de capital
Alemanha Isenções vinculadas à geração de emprego Imposto de 25% sobre rendimentos financeiros
EUA Cortes para super-ricos sob Trump Imposto progressivo conforme volume de ganhos
China Fortes controles sobre isenções e subsídios Alta taxação sobre especulação

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