Flávio Bolsonaro abandonou a candidatura de Hélio Lopes, o Hélio Negão, ao Tribunal de Contas da União (TCU) e fez o PL indicar a deputada Soraya Santos (RJ) para a disputa. A mudança ocorreu nesta quarta-feira, 8, em meio à articulação da Câmara para a escolha do próximo ministro da corte e expõe mais uma vez o uso político que os Bolsonaro sempre fizeram de Hélio: um aliado negro útil para posar de antirracistas, mas descartável quando já não serve ao projeto do grupo.
Hélio Lopes é um dos aliados mais fiéis de Jair Bolsonaro. Foi eleito em 2022 com o nome “Hélio Bolsonaro” na urna e, neste ano, concorrerá a deputado por Roraima a pedido do ex-presidente. Ele havia sido escolhido pessoalmente por Bolsonaro para a vaga no TCU, mas acabou preterido na nova costura costurada por Flávio. Nos bastidores, a mudança foi mal recebida pelo parlamentar.
A vitrine que agora perdeu utilidade
Durante anos, Hélio Negão funcionou como peça de propaganda do bolsonarismo para rebater acusações de racismo, embora o grupo tenha histórico alinhado à extrema direita e à manutenção das hierarquias raciais. Quando a presença dele ajudava a compor essa fachada, servia. Agora, diante da disputa por espaço no TCU, deixou de ser prioridade.
Flávio justificou a troca afirmando que o apoio de seu partido vai para Soraya Santos porque ela é mulher, qualificada e tem articulação política. Segundo ele, a escolha responde à ausência de mulheres entre os atuais membros do TCU. Ao mesmo tempo, o senador negou qualquer acordo com o PT e disse que não reconhece a articulação em torno do petista Odair Cunha (MG).
Disputa no TCU vira arma política
A movimentação do PL também mira outro objetivo: desgastar o governo Lula ao explorar a disputa no TCU como parte da guerra política em Brasília. Flávio aposta em reunir candidaturas para impedir a vitória de Odair, apoiado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), dentro de um arranjo de divisão de poder na Casa.
A eleição para o TCU ocorrerá em turno único na próxima semana, com sabatina dos candidatos na Comissão de Finanças e Tributação. No fundo, o episódio revela menos uma preocupação real com representatividade e mais a lógica habitual do bolsonarismo: usar pessoas como escada, desde que elas continuem servindo ao projeto.






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