A condenação de Gustavo Gayer por ofensa misógina contra a deputada federal e ex-presidente do PT, Gleisi Hoffmann (PR), não é um episódio solto na biografia do deputado do PL-GO. É mais uma peça de um histórico público que combina agressão verbal, incitação, desinformação e um passado de episódios graves de embriaguez e morte no trânsito, hoje cercado por versões divergentes, mas com um núcleo documental que não o ajuda em nada.
Na decisão desta semana, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) entendeu que Gayer ultrapassou todos os limites ao chamar Gleisi de “garota de programa” e ao insinuar uma relação sexual envolvendo a então ministra, seu marido, o também deputado Lindbergh Farias (RJ), e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A Justiça fixou indenização e afastou a tentativa de esconder misoginia atrás da imunidade parlamentar. É o tipo de recado que chega tarde, mas chega.
Um histórico que não é de agora
A reação pública ao caso reabriu velhas acusações contra Gayer. Reportagens já o associavam a um acidente de trânsito em Goiás, em 2000, em que ele foi denunciado por dirigir embriagado; a ação acabou prescrevendo sem julgamento nem condenação. O episódio é comumente contado com menções a mortes e até paraplegia nas pessoas envolvidas no acidente.
A denúncia, bem como a prescrição, já revela bastante sobre a trajetória do parlamentar. Ela se soma a outras marcas conhecidas: falas racistas, ataques a mulheres, ofensas a adversários e um modo de atuação que transforma a política em extensão da agressão cotidiana. Gayer não construiu capital político com proposta, mas com barulho, choque e uma linguagem chula, feita para radicalizar a base mais agressiva da extrema direita.
A conta chega, ainda que tarde
O caso de Gleisi recoloca esse personagem no centro da cena, agora sob o olhar do Judiciário. E o que aparece é um deputado que tenta se apresentar como vítima de perseguição enquanto acumula desgaste por onde passa. Quando a grosseria vira método e a violência verbal vira estratégia, a Justiça tende a chegar — nem sempre no ritmo que a sociedade gostaria, mas chega.






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