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Tarifaço EUA Brasil Bolsonaro
O ministro Mauro Vieira com o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio na reunião de chanceleres do G7, em Vaux-de-Cernay, na França. Foto: Itamaraty

EUA queria que Brasil se entregasse a Trump, revela Itamaraty

Mauro Vieira detona Rubio, defende o PIX e expõe a chantagem

O chanceler Mauro Vieira acabou de explodir a bomba que o governo americano tentava esconder. Nesta quinta-feira (16), em declaração dura no Palácio Itamaraty, o ministro das Relações Exteriores afirmou que os Estados Unidos exigiram uma “capitulação” do Brasil durante as negociações comerciais e exigiram até a abertura total sem qualquer contrapartida de setores inteiros da economia brasileira. A ameaça de elevar as tarifas sempre foi, segundo Vieira, uma chantagem política explícita.

O tarifaço não é uma disputa comercial, é uma operação política para forçar a eleição de Flávio Bolsonaro e entregar a soberania brasileira a Washington — já prometida pelo “Zero Um”.

“As declarações do secretário de Estado Marco Rubio, veiculadas na madrugada de hoje nas redes sociais a respeito das tarifas adotadas contra o Brasil, são inaceitáveis, ofensivas ao povo brasileiro e ao governo brasileiro”, declarou Vieira durante entrevista no Palácio Itamaraty.

“Rubio ataca de forma grosseira e arrogante um chefe de Estado de um país amigo. Claramente, o que incomoda o governo dos Estados Unidos é o fato de o Brasil não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas no curso das negociações”, acrescentou.

 

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O contexto é de uma chantagem em série. Segundo Vieira, o governo brasileiro manteve mais de 30 reuniões com autoridades americanas desde março de 2025 — 11 contatos apenas com o secretário de Estado Marco Rubio e o representante de Comércio Jamieson Greer, além de encontros entre Lula e Trump. Em todas elas, Washington fez exigências que o chanceler classificou como “desmedidas e irrazoáveis”. Uma delas: abertura “total, irrestrita e exclusiva” de setores inteiros da economia brasileira aos Estados Unidos, sem qualquer contrapartida para os produtos nacionais. Em outras palavras, exigiam a entrega do mercado brasileiro de bandeja.

Vieira foi cirúrgico ao destruir os argumentos americanos.

  • Sobre o PIX: “Não é sério falar em competição desleal gerada pelo PIX.” A infraestrutura pública de pagamentos, criada pelo Banco Central, está disponível a todas as instituições financeiras que atuam no Brasil.
  • Sobre o desmatamento: “Absurdas.” Desde 2022, o Brasil reduziu significativamente o desmatamento na Amazônia e no cerrado.
  • Sobre a suposta falta de reciprocidade comercial: os EUA acumularam superávit de US$ 424 bilhões com o Brasil nos últimos 15 anos, e em 2025, 76% das importações americanas entraram no Brasil sem imposto.

Foi a resposta direta ao secretário americano, que havia acusado Lula de não negociar “de boa-fé” e de adotar políticas prejudiciais a americanos e brasileiros.

O que fica evidente é que o Brasil não se curvou. O governo Lula participou de todas as etapas da investigação do USTR, apresentou duas defesas formais e enviou representantes a Washington. Mesmo assim, a decisão americana ignorou os argumentos brasileiros. “Todas as alegações dos norte-americanos para justificar a aplicação de tarifas não têm lastro na realidade”, afirmou Vieira. A tarifa de 25% entra em vigor no dia 22 de julho — mas o Brasil não vai engolir a humilhação em silêncio.

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