A corrida ao Palácio do Buriti ganhou um novo movimento com a pré-candidatura do advogado Francisco Caputo Neto, o Kiko Caputo, pelo Partido Novo. Ele acelerou a montagem da campanha, fechou com o escritório Carvalho Pedra para a área jurídica e articula a equipe de marketing.
A aposta estratégica dele é herdar o capital político e eleitoral de José Roberto Arruda, que é pré-candidato pelo PSD e lidera as pesquisas de opinião no DF. Arruda terá a candidatura questionada na Justiça Eleitoral tão logo seja registrada. Em caso de não conseguir concorrer, Arruda apoiará Kiko.
O anúncio o coloca no centro de uma disputa já profundamente contaminada pela crise política e fiscal aberta pelo escândalo do Banco Master. No Distrito Federal, o caso atingiu em cheio o governo Ibaneis Rocha (MDB), enfraqueceu a base de sustentação do Palácio do Buriti e espalhou efeitos sobre o orçamento público, especialmente na saúde e em áreas de obras.
O peso do caso Master
A crise não ficou restrita ao desgaste político. O episódio agravou a situação financeira do governo local, atingiu o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IGESDF) e levou a cortes nos orçamentos da saúde e de obras. O resultado foi um ambiente de caos fiscal e administrativo que agora reverbera na disputa eleitoral de 2026.
Nesse cenário, Kiko Caputo tenta se afirmar como alternativa. Embora não tenha trajetória histórica na direita, ele encontrou no Novo a única estrutura viável para sua arrancada. O partido, porém, já não guarda qualquer traço de centro liberal: virou uma linha auxiliar da extrema direita, cada vez mais colada ao bolsonarismo e aos interesses do bloco que orbitou o poder no DF.
Kiko, advogado e pós-graduado em Direito e Processo do Trabalho, tal qual Ibaneis, também presidiu a OAB-DF e tem, portanto, trânsito no Poder Judiciário. Também como Ibaneis, foi conselheiro federal da OAB. E integrou o Conselho da República no primeiro ano do Governo Bolsonaro.
Um nome de centro sem espaço
A movimentação expõe o encolhimento do espaço político no Distrito Federal. Com a direita tradicional reorganizada em torno de seus próprios projetos e a esquerda ainda sem unificação capaz de disputar o campo majoritário, sobra para Caputo um partido convertido em abrigo de conveniência.
A candidatura nasce, portanto, em terreno instável. Não é só uma disputa de nomes, mas de escombros. O caso Master desmontou alianças, aprofundou a crise fiscal e ajudou a redefinir o mapa eleitoral antes mesmo da campanha começar de fato. Kiko Caputo entra nessa corrida tentando ocupar um vácuo, mas o vácuo, por enquanto, parece ocupar o próprio DF.






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