O presidente Lula anunciou nesta quinta-feira (25) a senadora Teresa Leitão (PT-PE) como nova líder do governo no Senado. Ela substitui Jaques Wagner (PT-BA), que deixou o cargo na quarta (24). A mudança foi comunicada pelo próprio presidente no X, atribuindo à parlamentar a missão de articular a aprovação de pautas como o fim da escala 6×1 e a PEC da Segurança Pública.
A troca ocorre em um momento delicado para o governo no Senado. Jaques Wagner deixou a liderança dias após ser incluído na lista de alvos da 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga o esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.
O petista foi tragado pela onda gerada a partir de uma ação totalmente fora do comum tomada pelo ministro André Mendonça, o bolsonarista terrivelmente evangélico que herdou a relatória do caso Master no Supremo.
De toda forma, o ocorrido representa um contraste brutal com o bolsonarismo. O governo do presidente Lula assiste, sem interferências, ao avanço da Polícia Federal (PF) contra seus próprios aliados. Quando presidente, Bolsonaro não só interferiu pessoalmente na PF para barrar as investigações de corrupção e peculato sobre Flávio Bolsonaro como demitiu Sérgio Moro do Ministério da Justiça por não ter ajudado a fazê-lo.
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O contexto da troca de líder do Governo é de desgaste crescente entre o Planalto e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Aliados de Lula atribuem a Alcolumbre derrotas recentes do governo, como a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal e o avanço de propostas que aumentam despesas públicas sem o controle desejado pela equipe econômica.
Teresa Leitão chega com um perfil diferente do antecessor. Professora, sindicalista e formada em Pedagogia, a senadora de 74 anos foi a primeira mulher eleita para o Senado por Pernambuco, com mais de 2 milhões de votos em 2022. Antes da nomeação, já liderava o PT na Casa e presidia a Comissão de Educação e Cultura. Sua trajetória sugere uma aposta em articulação mais fina e menos exposição a conflitos diretos.
A nova líder agradeceu a confiança de Lula e prometeu fortalecer a ponte entre o Planalto, a base aliada e o próprio Alcolumbre. Na prática, ela herda um Senado onde o governo precisa recompor capacidade de votação ao mesmo tempo em que lida com os desdobramentos da Compliance Zero e a insatisfação de setores do centrão.
A substituição de Jaques Wagner não é apenas uma troca técnica de nomes. Ela sinaliza que o Planalto reconhece a necessidade de renovar a estratégia de articulação política em um Congresso cada vez mais fragmentado e hostil. Teresa Leitão terá que mostrar serviço rápido se quiser evitar que as derrotas se acumulem.





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