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Lula Trump tarifas infundadas
Em telefonema para Trump, presidente Lula afirmou que os motivos alegados pelos EUA para impor tarifas contra as exportações brasileiras são infundados. Imagem: FLIA (gerada por IA)
BRASIL

Lula diz a Trump que tarifaço é mentira e isola Bolsonaros

Ligação de 1h20 teve tom cordial, mas Lula rebateu todas as alegações

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou nesta sexta-feira (21) para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e detonou o tarifaço imposto contra produtos brasileiros. Durante a conversa de uma hora e 20 minutos, classificada pelo Planalto como cordial, Lula afirmou que as alegações que motivaram as tarifas são “infundadas”. O governo americano fundamentou as medidas alegando desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos com trabalho forçado. Nenhuma procede.

“Os grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas aqueles que põem fim aos conflitos”, disse Lula a Trump, referindo-se às guerras da Rússia com a Ucrânia e do Eixo EUA/Israel contra o Irã.

“O presidente Lula enfatizou que as alegações que basearam a medida são infundadas”, diz a nota oficial. Lula argumentou que as tarifas “afetam negativamente tanto o Brasil, quanto os Estados Unidos” e que “seguir na mesa de negociação é a melhor opção para os dois países”. Trump concordou com a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes e propôs que equipes dos dois países voltassem a se reunir o mais brevemente possível.

O recado que corta os correios

A ligação tinha um objetivo que vai além do comércio. Lula disse a Trump que a relação entre os dois países “não precisa de intermediários”. O recado era claro: decisões sobre tarifas, crime organizado ou qualquer outro tema podem ser debatidas entre os dois chefes de estado, não com Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, nem com os Bolsonaros que articulam em Washington. A avaliação do governo brasileiro é que sempre que Trump foi influenciado por Rubio ou pelos Bolsonaros, o resultado foi negativo para a relação bilateral.

A jogada isola o clã Bolsonaro. Flávio Bolsonaro enviou carta a Rubio pedindo adiamento das tarifas para depois das eleições. Eduardo Bolsonaro articula em Washington. A bandeira americana foi erguida durante o hino nacional no ato de Copacabana. Os Bolsonaros são os correios da soberania. Lula cortou o correio.

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Soberania em pauta

Os Estados Unidos já estão interferindo nas eleições brasileiras. O tarifaço de 25% e 12,5%, que somado chega a 37,5%, atinge US$ 6,6 bilhões em exportações. O Departamento de Estado publicou vídeo declarando a América Latina como quintal norte-americano. A Doutrina Monroe tem 203 anos. Nunca morreu. Foi atualizada. O Palácio do Planalto admite que a ingerência é real e espera intensificação nas próximas semanas.

Lula também discutiu segurança pública com Trump. Reiterou que o PCC e o Comando Vermelho não são organizações terroristas. Apresentou a estratégia de asfixia financeira da criminalidade, que já resultou na apreensão de cerca de R$ 17 bilhões. Falou sobre Ucrânia e Oriente Médio. Declarou: “Os grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas aqueles que põem fim aos conflitos”. É o oposto de Trump, que iniciou uma guerra perdida contra o Irã e afundou a dívida americana em US$ 40 trilhões.

A eleição de 2026 não é entre Lula e Flávio Bolsonaro. É entre soberania e entrega. Lula ligou para Trump, disse que as tarifas são mentira, cortou os intermediários e propôs diálogo. Os Bolsonaros correram para Washington entregar o país. O Brasil não é quintal de ninguém.

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