A grande mentira de Flávio sobre as milícias

Cronologia desmonta versão sobre as contratações da irmã e da mãe do pistoleiro miliciano

Por Frente Livre
Flávio miliciano Adriano
Adriano da Nóbrega, o matador de aluguel da milícia de Rio das Pedras: Flávio Bolsonaro empregou a mãe dele no gabinete de deputado estadual anos depois de ele ter sido expulso da PM. Foto: Reprodução Redes Sociais

Flávio Bolsonaro (PL) sustenta que empregou a mãe e a ex-mulher do ex-capitão Adriano da Nóbrega antes de ele ser conhecido como miliciano. As datas o desmentem categoricamente. Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega entrou no gabinete em 2007. Raimunda Veras Magalhães, a mãe, em 2016. Adriano já havia sido preso em 2004, condenado em 2005 e expulso da PM em 2014. Logo, Flávio não ajudou Adriano por ser “um policial exemplar, exímio atirador”, como diz. Ajudou porque era um aliado muito próximo — sabidamente assassino e miliciano.

A cronologia que a defesa ignora

Adriano foi preso preventivamente em janeiro de 2004 pelo homicídio do guardador de carros Leandro dos Santos Silva, de 24 anos, morador de Parada de Lucas que havia denunciado policiais por extorsão. Condenado pelo Tribunal do Júri em outubro de 2005 a 19 anos e seis meses, conseguiu novo julgamento, foi solto em 2006 e absolvido em 2007.

Em junho de 2005, enquanto Adriano estava preso, Flávio o considerou merecedor da Medalha Tiradentes, a maior honraria da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Em setembro, foi ao Batalhão Especial Prisional, em Benfica, entregar a comenda. A defesa do senador reconhece a visita.

Oito meses após a absolvição, em 2007, Danielle foi nomeada. No mesmo ano, Fabrício Queiroz entrou no gabinete — e ele e Adriano haviam sido investigados juntos por um assassinato em 2003. Em 2008, Adriano foi preso de novo, por tentativa de assassinato do pecuarista Rogério Mesquita. Em 2011, outra prisão. Em janeiro de 2014, foi expulso da Polícia Militar por atuar como segurança do contraventor José Luiz de Barros Lopes.

Raimunda, a mãe, só entrou no gabinete de Flávio em maio de 2016 — dois anos e quatro meses depois da expulsão do filho da corporação.

O que Queiroz confessou

O ex-assessor apontado como gerente do esquema das rachadinhas confirmou, em nota, ter sido o autor das indicações. Alegou que “se solidarizou com a família que passava por grande dificuldade”. O problema: em 2016, Adriano não estava preso. Estava expulso da PM havia mais de dois anos.

Em 2020, Flávio disse ao Ministério Público do Rio como conheceu Adriano: “Conheci Adriano dentro do Bope, ele me dando instrução de tiro. (Conheci) Por intermédio do Queiroz, que serviu com ele no batalhão”. Em nota, afirmou: “não há nenhuma relação de Flávio Bolsonaro ou da família com Adriano”.

Em março de 2026, a mãe de Adriano foi denunciada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Rio de Janeiro (Gaeco/MPRJ) na Operação Legado, por suspeita de lavagem de dinheiro do jogo do bicho — empresas de fachada que movimentaram mais de R$ 8,5 milhões. Flávio não é acusado nessa investigação.

A fronteira da prova

A tese de que as contratações da irmã e principalmente da mãe do pistoleiro antecederam a fama criminosa de Adriano da Nóbrega não se sustenta. É simplesmente mentira. Ele deu a medalha na cadeia. Doze anos depois, empregou a mãe do homenageado, quando o mundo inteiro já sabia que se tratava de um pistoleiro de aluguel ligado à milícia de Rio das Pedras, a maior e mais violenta do Rio de Janeiro.

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