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BRASIL

Manifestações em todo o país repudiam anistia a envolvidos no 8 de janeiro e relembram golpe militar

Ações ocorrem de forma paralela à tentativa de ala bolsonarista de emplacar urgência de proposta na Câmara dos Deputados

Neste domingo (30), manifestantes ocuparam as ruas de várias cidades brasileiras para protestar contra a possibilidade de anistia a participantes dos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023, data em que apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) invadiram e depredaram sedes dos Três Poderes em Brasília. Os atos também marcaram os 61 anos do golpe militar de 1964, completados na próxima terça-feira (1º), em um alerta contra a revisão histórica do regime autoritário (1964-1985), responsável por pelo menos 434 mortos e desaparecidos políticos, segundo a Comissão Nacional da Verdade.  

Protestos unem passado e presente  

Em São Luís (MA), centenas de pessoas se reuniram na Praça João Lisboa, região central da capital, desde as 9h. A manifestação, organizada por movimentos populares, sindicatos e entidades estudantis, carregava faixas com frases como “Anistia a golpistas é afronta à democracia”.  

Ilse Gomes, presidenta do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) no estado, destacou a ligação entre o autoritarismo histórico e as ameaças recentes:  

“O Brasil tem uma tradição autoritária. Mesmo após 40 anos de reconstrução democrática, vivemos quatro anos de um governo que ameaçou instituições e uma tentativa de golpe em 2023. Não podemos normalizar isso”.  

Em Brasília, manifestantes estenderam faixas contra a anistia no Eixão Sul, via fechada ao trânsito aos domingos. A servidora pública Elizabeth Hernandes, do movimento Espíritas à Esquerda, enfatizou a importância da mobilização:  

“Estamos nas ruas para pressionar o Congresso a rejeitar projetos que perdoem crimes contra a democracia. Acredito que a pressão popular fará a diferença”.  

Contexto político e tramitação controversa  

Os protestos ocorrem em meio a dois avanços significativos:  

1. STF como réu Bolsonaro: O Supremo Tribunal Federal (STF) acolheu denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Bolsonaro e sete ex-auxiliares por tentativa de golpe.  

2. PL 2858/2022: Projeto de Lei em tramitação na Câmara propõe anistiar participantes de “atos populares” desde 30 de outubro de 2022 — data da derrota eleitoral de Bolsonaro.  

Na Avenida Paulista (SP), tradicional palco de manifestações, as frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular lideraram o ato, com participação de entidades como MST, MTST, UNE e partidos como PT, PCdoB e Psol.  

Memória da ditadura e resistência  

A conexão entre o 8 de janeiro e o golpe de 1964 foi tema central. Dados da atual Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos estimam que o regime militar tenha deixado mais de 10 mil vítimas, incluindo torturados e perseguidos.  

Em Fortaleza (CE), Belém (PA) e Curitiba (PR), cartazes lembravam nomes como Vladimir Herzog e desaparecidos como Fernando Santa Cruz. No Rio de Janeiro, manifestantes ocuparam o Museu da República, no Catete — antiga sede do governo federal durante parte da ditadura.  

Repercussão nacional  

Além dessas capitais, cidades como Volta Redonda (RJ) e João Pessoa (PB) registraram atos. No Recife (PE), uma faixa em frente ao Marco Zero dizia: “Anistia a golpistas é esquecer 1964”.  

Próximos passos  

A pressão contra o PL 2858/2022 deve se intensificar nos próximos dias, com audiências públicas e mobilizações marcadas por entidades. Enquanto isso, o STF segue com o julgamento de Bolsonaro, em um cenário que mistura tensão política e resgate histórico.  

Com informações de manifestantes e organizações participantes.

Na capital federal, concentração ocorreu no Eixão /Elizabeth Hernandes

Para a servidora pública Elizabeth Hernandes, do movimento Espíritas à Esquerda, a agitação nas ruas pode ajudar a barrar a tramitação da proposta no Legislativo. “Acredito nisso. É por isso que a gente está na rua. Tem muita gente aqui – gente jovem e gente de todas as idades – e certamente isso faz a diferença”, disse a militante, que se somou ao grupo do protesto na capital federal.

Em São Luís (MA), concentração começou às 9h deste domingo, no Centro – Matheus Coimbra / Ascom Apruma

Manifestantes se concentraram na Avenida Paulista, em São Paulo (SP)/ Lucas Martins (@lucasport01)

Fonte: Brasil de Fato // Portal Vermelho

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