Mensagens interceptadas pela Polícia Federal e divulgadas nesta segunda-feira (21) pelo site Fatos Online mostram o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha tratando diretamente com o banqueiro Daniel Vorcaro a compra do Banco Master pelo BRB. Entre setembro de 2024 e agosto de 2025, Ibaneis mandou ao dono do Master uma decisão judicial que derrubava a liminar contra o contrato e a publicação da Lei nº 7.739, que autorizava a operação. A revelação derruba a última trincheira de Celina Leão (PP): a de que o negócio aconteceu sem que o governo soubesse.
O governador mensageiro do banqueiro
Os prints mostram um governador fazendo as vezes de assessor do interessado na venda. Em maio de 2025, Ibaneis enviou a Vorcaro a decisão judicial que retirava o obstáculo à assinatura do contrato. Em agosto, remeteu a edição do Diário Oficial do DF com a lei que ele mesmo sancionara, autorizando a compra de 49% das ações ordinárias e 100% das preferenciais do Master. Ao Correio Braziliense, Ibaneis confirmou os contatos e falou em “uma atuação institucional no campo político e jurídico em uma época que estávamos todos convencidos pelo Paulo Henrique que seria um excelente negócio para o BRB e para Brasília”.
A vice que só via a imprensa
O “todos convencidos” de Ibaneis é a sentença da vice. Segundo levantamento do Brasil de Fato em atos oficiais, Celina governou o Distrito Federal cinco vezes só em 2025. Foi ela quem assumiu o Palácio do Buriti nas ausências do titular. Ainda assim, em abril de 2025, com o negócio pulando no núcleo do governo, declarou: “Não tenho conhecimento sobre a operação. Não fui consultada, fiquei sabendo pela imprensa.”
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O banqueiro tinha outra versão. “Não ficou de fora, não. Isso aí é jogo para se preservar na política”, afirmou Vorcaro sobre Celina. A governadora chama a conversa de “narrativa que não é verdadeira”, e o GDF nega que ela tenha participado das negociações. Depois que Ibaneis rompeu com ela, em maio de 2026, Celina passou a dizer que “sempre foi contra” a compra e que, se governadora fosse, “jamais permitiria” o negócio. O chefe mandava o dever de casa para o banqueiro. A vice, segundo ela própria, só lia o jornal.
