Uma empresa chamada Tirreno Consultoria Promotoria de Crédito e Participações S.A., criada em novembro de 2024 e dirigida por um ex-funcionário do Banco Master, é apontada pela investigação do Ministério Público Federal (MPF) como o principal instrumento de uma suposta fraude financeira. A companhia teria sido usada como fachada para simular a venda de carteiras de crédito e permitir que o Master captasse R$ 12,2 bilhões junto ao Banco de Brasília (BRB).
A investigação aponta que a Tirreno foi estruturada em um curto espaço de tempo com o propósito específico de viabilizar a operação. Originalmente chamada de SX 016 Empreendimentos e Participações S.A., a empresa teve seu contrato social alterado em dezembro de 2024, mudando de nome e de atividade econômica. Apenas dois dias depois, em 5 de dezembro, assinou o contrato com o Banco Master.
Indícios de fachada
Além da cronologia suspeita, o MPF listou uma série de indícios que reforçam a tese de que a Tirreno não possuía atividade real:
- Diretor vinculado: O diretor nomeado para a Tirreno, André Felipe de Oliveira Seixas Maia, é um ex-funcionário do próprio Banco Master.
- Clientes sobrepostos: Os clientes das carteiras de crédito que a Tirreno supostamente vendeu ao Master “coincidem, em larga medida, com os clientes do próprio Master”.
- Inatividade financeira: A apuração não identificou nenhuma movimentação financeira comum na Tirreno, como TED, PIX, boletos ou operações de câmbio. O Master era seu único relacionamento com uma instituição financeira.
Para os investigadores, as operações entre Master e Tirreno “apresentam indícios de insubsistência, que sinalizam a existência de possível engenharia contábil e financeira para viabilizar a captação de recursos pelo Master junto ao BRB”.






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