A tentativa do ex-presidente Jair Bolsonaro de transformar sua cela no Complexo Penitenciário da Papuda em um comitê de relações internacionais esbarrou no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Alexandre de Moraes determinou nesta quinta-feira (12) que o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) informe se o assessor do governo dos Estados Unidos, Darren Beattie, possui de fato uma agenda diplomática no Brasil. A cobrança ocorreu após a defesa do ex-mandatário insistir para que o aliado de Donald Trump o visite na prisão fora dos dias regulamentares.
A audácia do pedido já havia gerado indignação no meio político. Os mesmos advogados que pediram a transferência de Bolsonaro para prisão domiciliar alegando problemas graves de saúde, agora tentam viabilizar uma cúpula “para-diplomática” dentro do 19° Batalhão da Polícia Militar. Ao analisar o caso, Moraes autorizou o encontro, mas determinou que ele ocorresse na próxima quarta-feira (18), dia normal de visitas na unidade prisional, ressaltando que “os visitantes devem se adequar ao regime legal do estabelecimento”.
O blefe da agenda diplomática
Diante da decisão, a defesa de Bolsonaro voltou a pedir a antecipação para segunda (16) ou terça-feira (17), argumentando que a passagem de Beattie pelo país seria curta e tomada por compromissos diplomáticos. O problema é que o assessor não havia solicitado nenhuma reunião com o Itamaraty ou com o Palácio do Planalto antes de desembarcar no país.
Foi apenas após Moraes exigir as informações oficiais que a embaixada americana tentou, de forma improvisada por e-mail e WhatsApp, marcar uma reunião de última hora com o governo brasileiro. O drible expôs a fragilidade da justificativa apresentada ao STF e reforçou a percepção de que o propósito da viagem não tem caráter institucional.
Interferência eleitoral
No governo brasileiro, a vinda de Beattie é vista como uma tentativa de interferência nas eleições para favorecer o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e minar as relações entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. O assessor integra um segundo escalão do governo americano alinhado ao bolsonarismo e é um crítico contumaz de Moraes, a quem já chamou de “arquiteto do complexo de censura”.
Agora, caberá ao Itamaraty decidir se aceita a reunião pedida de última hora, enquanto Moraes aguarda as informações oficiais para dar a palavra final sobre o encontro na Papudinha.






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