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morte Ali Khamenei Trump
Porta-voz do Governo anuncia morte de Ali Kamenhei em rede nacional de TV: "Ataque do diabo contra o nosso amado país". Foto: Reprodução Al Jazeera
GEOPOLÍTICA

Trump mata Khamenei e vira alvo na nova desordem

Assassinato no Irã consolida política de eliminação de líderes

O assassinato do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, consolida uma nova e perigosa doutrina na política externa dos Estados Unidos. O ataque militar conjunto de Washington e Tel Aviv, que resultou na morte da autoridade máxima iraniana, decreta o fim definitivo do direito internacional. Ao adotar a eliminação física de chefes de Estado como ferramenta diplomática, o presidente Donald Trump inaugura a era da remoção de líderes, transformando o mundo em uma terra de ninguém onde a força bruta substitui qualquer tratado ou convenção.

A confirmação da morte de Khamenei mergulhou o Irã em um luto oficial de 40 dias. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, classificou o bombardeio como “um grande crime” contra a nação. A ofensiva dizimou não apenas o aiatolá, mas também sua filha, seu genro, seu neto e altos oficiais de segurança. Em resposta imediata, a Guarda Revolucionária lançou mísseis contra bases americanas no Oriente Médio, deixando ao menos três soldados dos EUA mortos e cinco gravemente feridos, segundo o Comando Central americano.

A estratégia de decapitação de governos não começou no Oriente Médio. O primeiro laboratório dessa nova política imperialista foi a Venezuela, com a remoção de Nicolás Maduro, motivada pela sede inesgotável de controle sobre as maiores reservas de petróleo do planeta. Agora, o alvo foi o Irã. A eliminação de Khamenei serve para remover um adversário incômodo de Israel, o aliado estratégico que há anos exerce forte influência sobre a política e o empresariado estadunidense — um controle que, nos bastidores, é frequentemente associado a esquemas de chantagem envolvendo vídeos feitos pela agência de inteligência Mossad e os  estupros de crianças patrocinados por Jeffrey Epstein.

O fim da diplomacia e o risco para Trump

O ataque ocorreu exatamente enquanto os dois países negociavam um acordo nuclear em Genebra, evidenciando a deslealdade das tratativas. O pesquisador Marco Fernandes resume a gravidade da manobra. “Mais uma vez, EUA e Israel atacam o Irã durante negociações, de maneira traiçoeira. Trata-se de mais um ataque não provocado, e, portanto, criminoso, em mais uma óbvia violação do já finado ‘direito internacional'”, avalia o analista.

A pesquisadora Karime Cheaito reforça que a intenção americana vai muito além da questão nuclear e mira a destruição da soberania local. “Washington foi explícito em suas metas: eliminar ameaças imediatas, destruir a capacidade de mísseis, neutralizar a marinha iraniana e desarticular grupos aliados na região. Em suma, o objetivo é desmantelar a capacidade defensiva do território e remodelar a ordem política do país”, explica Cheaito.

A sanha intervencionista não parece ter limites. Trump já anunciou publicamente que “o próximo será Cuba”, indicando que a caçada a líderes soberanos que contrariam os interesses de Washington se tornará rotina. No entanto, essa aposta carrega um risco altíssimo e imediato.

Ao sancionar uma época sem lei nas relações entre os países, Trump destrói o escudo diplomático que protege os próprios chefes de Estado. Se assassinar o líder de uma nação soberana passa a ser uma tática aceitável e impune, o presidente dos Estados Unidos torna-se, pela mesma lógica, um alvo legítimo para qualquer país que tenha seus interesses contrariados ou sua população massacrada. Na desordem global que ele mesmo ajudou a criar, Donald Trump pode ser o próximo presidente a cair na vala comum do terrorismo de Estado.

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