O pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (Advec), conhecido por seu ativismo político bolsonarista e por um patrimônio que cresce em proporção inversa à sua humildade cristã, tentou calar a imprensa usando o velho método dos poderosos: processo criminal. O tiro, como era de se esperar, saiu pela culatra.
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) se manifestou nesta quarta-feira (15) pela rejeição total da queixa-crime movida pelo pastor contra os jornalistas do ICL Igor Mello e Juliana Dal Piva. Malafaia queria a condenação dos dois por difamação e injúria, com pena que poderia chegar a oito anos de reclusão — uma resposta desproporcional que só se explica pelo nervosismo de quem tem muito a esconder.
O motivo da ira papal? O podcast “Império Malafaia”, produzido pelo ICL Notícias em maio de 2025, resultado de mais de um ano de investigação sobre a vida financeira, a situação patrimonial e a atuação política do pastor desde os anos 1980.
A decisão que queimou o incenso
Na manifestação, a promotoria foi cirúrgica: as informações divulgadas nos cinco episódios do podcast “consistiram na divulgação de informações de nítido interesse público, pautada em dados extraídos de documentos oficiais e processos judiciais públicos”. Ou seja, jornalismo.
O MP sustentou ainda que o trabalho dos jornalistas “não violou os limites da crítica jornalística” e lembrou ao pastor que, por ser “pessoa pública e ator político importante”, está sujeito ao escrutínio da imprensa. Uma aula de direito constitucional para quem achava que fé e poder compram silêncio.
“As críticas à ‘confusão patrimonial’ ou ao uso de ‘jatinhos’ inserem-se no contexto da liberdade de expressão e do debate sobre a transparência de instituições religiosas, não ultrapassando os limites da legalidade para adentrar a esfera da criminalidade”, diz um trecho da decisão.
O império que não aceita holofote
Malafaia, que nos púlpitos prega contra a “mídia mentirosa”, não hesitou em recorrer ao Judiciário para tentar silenciar quem ousou investigar seu império financeiro. O podcast “Império Malafaia” revelou detalhes da confusão patrimonial envolvendo as finanças do pastor, o uso de jatinhos e a teia de negócios que sustenta o homem que se apresenta como “servo de Deus” mas vive como senhor de tudo.
O reconhecimento internacional da série investigativa — sim, o trabalho foi premiado lá fora — só reforça o óbvio: o problema não é com os jornalistas, é com o conteúdo. E o conteúdo, o MP confirmou, é jornalismo legítimo.
O pastor que tenta se fingir de vítima ao ser alvo de investigação jornalística é o mesmo que não teve nenhum pudor em convocar fiéis para atos políticos, declarar apoio a candidatos neofascistas e usar a estrutura da igreja como plataforma de poder. Agora, quando a imprensa faz o seu trabalho, ele corre para o Judiciário pedir proteção.





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