Com bancada recorde, árabes embolam fascistas sionistas

Coalizão de Netanuahu cai para 53 cadeiras e oposição não chega a 61. O caos está criado

Por Frente Livre
Israelenses árabes marcaram presença nas eleições e conquistaram cadeiras estratégicas, sem as quais governo ou oposição não conseguem governar. Foto: Amir Cohen/Reuters

A coalizão do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, perdeu a maioria no Parlamento. Segundo os resultados definitivos publicados nesta sexta-feira (30) pela Comissão Eleitoral Central, o bloco governista ficou com 53 das 120 cadeiras do Knesset. Eram 63 antes do pleito. Para governar, são necessárias 61.

O Likud, partido de Netanyahu, foi o mais votado, com 20% dos votos e 27 cadeiras. Não bastou.

A conta que ninguém quer fechar

O impasse tem um nome: os partidos árabes. A Lista Conjunta e o Ra’am conquistaram 19 cadeiras e quase dobraram sua representação. Os palestinos-israelenses somam cerca de 21% da população do país e tiveram presença superior a 80% nas urnas, recorde histórico.

A oposição soma 67 cadeiras, mas 19 delas pertencem justamente a esses partidos. Ou seja: tirar Netanyahu do poder exige aliança com quem a oposição prometeu nunca se aliar.

“Alguma promessa vai ter que ser descumprida para sair desse imbróglio, porque a oposição prometeu duas coisas: que não iria fazer governo com Netanyahu e que não iria fazer governo com os partidos árabes”, explicou Shajar Goldwaser, pesquisador do Grupo de Estudos sobre Conflitos da PUC de São Paulo, à Agência Brasil.

O Yashar, de Gadi Eisenkot, tem 21 cadeiras, e o B’Yachad, 12. Ambos já declararam que não governam com os palestinos. Goldwaser aponta a raiz: “Eles não querem, por exemplo, ter um ministro da educação palestino. Formar um governo com esses partidos seria uma vitória para os palestinos, que teriam a sensação de que o voto importa”.

O “Ra’amgate” que ninguém viu

Sem maioria, Netanyahu escolheu o manual conhecido. O Likud publicou nota dizendo que “o caso Ra’amgate é um terremoto. Roubaram as eleições em Israel!” e afirmou que “nenhum partido sionista deve cooperar com Ra’am e a Lista Conjunta”.

Acusou Catar e Turquia de financiarem a mobilização do eleitorado árabe. Não apresentou uma única prova.

Netanyahu sofreu uma derrota democrática esmagadora. O público o demitiu, e ele se recusa a aceitar o veredito dos eleitores”, afirmou Yair Golan, presidente do partido Democratas.

“Agora ele está tentando minar os resultados das eleições por meio de uma campanha repugnante de deslegitimação contra a vontade do público, e contra o público árabe em particular.”

A cartela de sempre

Gadi Eisenkot foi direto: “Eles fazem isso porque perderam. Carecem de maioria”. E cobrou que as investigações não sirvam para adiar a posse dos eleitos: “não se pode permitir que atores políticos explorem a situação para influenciar a data da posse da 26ª Knesset”.

Sami Abou Shehadeh, do Balad, resumiu o roteiro: “Netanyahu e seus parceiros são pessoas perigosas que estão construindo uma narrativa para justificar a recusa em aceitar os resultados de uma das eleições mais decisivas que este país viu em décadas”.

Enquanto não houver acordo, Netanyahu permanece no cargo. E, como lembra Goldwaser, ele tem um recurso testado: “Uma guerra contra o Irã agora é muito propícia a formar um governo de união nacional. Netanyahu já fez isso no passado. Ele é famoso por fazer guerras para interesses eleitorais”.

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