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Vídeo do presidente Lula manipulado por Nikolas Ferreira com uso de IA teve milhões de visualizações. Imagem: Reprodução Redes Sociais
BRASIL

Nikolas mente com IA, X blinda perfil e Meta cala a esquerda

Redes sociais estão manipulando a eleição no Brasil

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) usou inteligência artificial para manipular um vídeo de um discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e fazer parecer que o presidente desdenhou da função de gari. O vídeo manipulado viralizou, alcançou milhões de pessoas e foi noticiado pela grande imprensa como se fosse verdade. O vídeo completo desmonta a mentira: Lula exaltava a importância de quem recolhe o lixo e denunciava que o pobre é tratado como “invisível”. Nikolas cortou justamente a continuação da fala em que Lula valoriza esses trabalhadores. Pegaram uma fala sobre dignidade e editaram para parecer exatamente o contrário. É crime eleitoral.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proíbe o uso de deepfakes na propaganda eleitoral desde as eleições municipais de 2024. A manipulação de vídeo, áudio ou imagem para criar conteúdo falso atribuído a candidato é crime. Nikolas Ferreira tem histórico. Em 2022, o TSE determinou a remoção de vídeo em que o deputado afirmava que Lula incentivaria a criminalidade e o uso de drogas por crianças. Em janeiro de 2026, Lula criticou novo vídeo de Nikolas sobre o Pix e atacou o uso de IA: “Estamos vivendo o mundo da mentira”. Em abril, foi condenado em primeira e segunda instância a pagar R$ 80 mil por danos morais. A história do presidente — que foi feirante, metalúrgico e sindicalista — já desmente a patifaria por si só.

O X que blinda Nikolas

O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) deu 24 horas para o X, plataforma de Elon Musk, explicar se o perfil de Nikolas Ferreira ficou fora do mecanismo de restrição eleitoral. A decisão foi tomada em uma representação de João Gabriel Prates (PT-MG), candidato a deputado federal, baseada em reportagem do ICL Notícias que revelou que Nikolas não aparecia na lista pública de perfis submetidos à restrição. O X divulgou uma relação com 665 contas atingidas pela regra, mas deixou de fora perfis informados à Justiça Eleitoral, entre eles o de Nikolas.

A regra eleitoral determina que plataformas com sistemas de recomendação excluam desses mecanismos os canais e perfis de candidatos. No X, isso afeta a possibilidade de publicações aparecerem automaticamente na aba “Para Você” de pessoas que ainda não seguem o candidato. “A norma eleitoral não autoriza uma ‘lista de conveniência'”, afirma a ação. O TSE também cobrou explicações do X e obrigou a plataforma a preservar registros técnicos. O X confirmou o recebimento da intimação.

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A censura que tem lado

Enquanto o X blinda Nikolas e a Meta aprova mentira eleitoral, a esquerda é calada. A Anistia Internacional, uma das maiores organizações de direitos humanos do planeta, realizou um experimento que deveria ter parado o mundo: apresentou ao Facebook 15 anúncios em português dirigidos ao eleitorado brasileiro. Dos 14 com desinformação, oito foram aceitos para publicação. Mais da metade. Nenhum foi rejeitado por mentir. Foram rejeitados por falta de verificação de identidade. A Meta não detecta desinformação eleitoral. Detecta o insulto pessoal. Não detecta o golpe de Estado.

A Frente Livre, em 29 de julho, noticiou o que a Anistia ainda não havia medido: o shadow ban. O Instagram enviou notificação informando que “sua conta não pode ser exibida para não seguidores”. O historiador Jones Manoel, com 2 milhões de seguidores, sofreu o mesmo. A conta existe, o conteúdo é publicado, mas ninguém vê. A direita tem estrutura de impulsionamento pago e exércitos de perfis automatizados. Quando a Meta corta o alcance orgânico, corta a esquerda. A direita paga para aparecer. A esquerda é proibida de aparecer. E quando a direita paga para aparecer com mentira, a Meta aprova.

O laboratório que chegou ao Brasil

O que acontece no Brasil não é pioneiro. É método. Na Colômbia, Gustavo Petro denunciou fraude eleitoral algorítmica que alterou aproximadamente 7 milhões de votos. A firma israelense BlackCore operou 500 mil contas falsas espalhando mentiras. No Peru, Keiko Fujimori venceu. No Chile, José Antonio Kast venceu. A BBC chamou de “círculo de fogo pró-Trump” em torno do Brasil. A Anistia provou que a Meta está minando o direito ao voto. A Frente Livre documentou o shadow ban. E Nikolas Ferreira, beneficiário da plataforma que o blinda, usa IA para mentir sobre Lula e viralizar crime eleitoral.

A democracia não morre na urna. Morre antes. Morre no feed. Morre no algoritmo que aprova mentira e proíbe verdade. Morre na plataforma que lucra com a morte. E morre no deputado que manipula vídeo com IA para fazer parecer que o presidente — que foi metalúrgico, que conhece o chão de fábrica, que construiu sua vida na dignidade do trabalho — desdenhou de quem recolhe o lixo. O vídeo completo desmonta a mentira. A Justiça abriu os dados. E o Brasil precisa decidir, em 4 de outubro, se aceita ser o próximo país da lista.

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