A primeira semana de março consolidou uma série de ampliações na rede pública de saúde brasileira. O Ministério da Saúde anunciou a implementação de novos serviços do SUS com foco em tecnologia e inovação farmacêutica, incluindo teleatendimento para populações vulneráveis e um tratamento inédito contra a malária infantil. Em paralelo aos avanços do Executivo, o setor de saúde também acompanhou com preocupação a aprovação, pela Câmara dos Deputados, de um projeto que autoriza a instalação de farmácias em supermercados.
A principal aposta tecnológica para os novos serviços do SUS concentra-se no aplicativo Meu SUS Digital. A plataforma passou a centralizar duas novas frentes de acolhimento psicológico à distância. A primeira é voltada para mulheres expostas à violência, serviço que começa a operar neste mês no Rio de Janeiro e no Recife, com previsão de alcance nacional até junho. A segunda frente oferece teleatendimento gratuito para pessoas com compulsão por jogos de apostas virtuais, as chamadas “bets”. Desenvolvido em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, o programa prevê até 100 mil consultas mensais para tratar o vício que afeta a saúde mental e financeira dos brasileiros.
Os novos serviços do SUS e o embate no Congresso
Além do suporte psicológico, a semana registrou um marco no combate a doenças endêmicas. O Brasil tornou-se o primeiro país do mundo a disponibilizar a tafenoquina pediátrica na rede pública. O medicamento, administrado em dose única, substitui o antigo tratamento de 14 dias contra a malária, facilitando a adesão. A distribuição já começou e prioriza a região Amazônica, com o primeiro lote de 14.550 comprimidos destinado ao Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Yanomami, área que concentra alta incidência da doença.
Enquanto o governo amplia a rede de proteção, o Congresso Nacional tomou uma decisão que gerou alertas entre as autoridades sanitárias. A Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 2158/23, que permite a abertura de farmácias dentro de supermercados. Embora o texto exija espaço físico segregado e a presença de um farmacêutico, a medida sofreu dura oposição do Conselho Nacional de Saúde (CNS) e do próprio Ministério da Saúde. Os órgãos argumentam que a facilidade de acesso em ambientes de varejo estimula a automedicação e coloca interesses comerciais acima da segurança dos pacientes.






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