O Ministério Público e a Polícia Civil de Santa Catarina decidiram estragar a festa — literalmente. Nesta terça-feira (7), foi deflagrada a Operação Pão e Circo, que investiga um esquema fraudulento na contratação de shows bancados com dinheiro público no estado. O nome já é uma obra-prima do sarcasmo involuntário: enquanto o cidadão comum luta para colocar pão na mesa, a elite política catarinense tratava o erário como se fosse varanda de camarote VIP.
O prefeito de Governador Celso Ramos, Marcos Henrique da Silva (PL), foi afastado do cargo. O empresário José Clemir Spinelli, dono da Spinelli Produções, foi preso preventivamente. Ao todo, a operação cumpriu 50 mandados de busca em 18 cidades de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, com um bloqueio de aproximadamente R$ 9 milhões em bens e valores. Tudo isso para garantir que as famosas festas municipais continuassem abastecidas com atrações de peso — e de peso no bolso do contribuinte.
O “cast” do roubo: Maiara & Maraísa e o PL na plateia
Segundo as investigações, o esquema funcionava como um cartel organizado para manipular preços, eliminar concorrência, pagar propina e lavar dinheiro. A Spinelli Produções, empresa de Spinelli, era especializada em produzir shows para festas municipais, preferencialmente com artistas sertanejos. A empresa foi responsável pela festa de 62 anos de Governador Celso Ramos, realizada em novembro de 2025, e pela 4ª Mafra Fest, que teve como atrações as duplas Maiara & Maraísa e Guilherme & Benuto.
É isso mesmo que você leu: enquanto o discurso bolsonarista prega “Deus, Pátria e Família”, a prática do PL catarinense era “Propina, Licitação Fraudada e Sertanejo”. O prefeito afastado, Marcos Henrique da Silva, é filiado ao Partido Liberal, a mesma legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro, que transformou a moralidade pública em peça de ficção. Coincidentemente, o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), é do mesmo partido. O estado respira PL — e não é “Placar da Legalidade”.
Pão e Circo: o nome que denuncia a piada
A operação foi batizada de Pão e Circo porque parece que os investigados acreditavam que a população se contenta com festa e ignoraria o ralo por onde o dinheiro escorria. A tática é antiga e conhecida: enquanto o povo dança ao som de Maiara & Maraísa, os políticos fazem a festa nos bastidores com contratos superfaturados e propinas embaixo do palco.
O Tribunal de Justiça de Santa Catarina autorizou a operação e determinou que os investigados estão proibidos de manter contato entre si e com testemunhas e de acessar repartições municipais. Uma medida necessária, porque, como se sabe, cartel combina encontro, e esquema combina visita à prefeitura.
