A Polícia Federal deflagrou a Operação Vassalos nesta quarta-feira (25). Os agentes investigam um esquema bilionário de desvio de emendas parlamentares. Além disso, os policiais apuram fraudes em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro. Consequentemente, o grupo criminoso movimentou bilhões de reais em recursos públicos.
O Supremo Tribunal Federal autorizou as medidas cautelares. Os agentes cumprem quarenta e dois mandados de busca e apreensão. A lista inclui Pernambuco, Bahia, São Paulo, Goiás e o Distrito Federal. O grande alvo da operação é o ex-senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE).
Os policiais também investigam seus filhos Miguel Coelho (ex-prefeito de Petrolina, candidato derrotado ao Governo de Pernambuco e pré-candidato ao Senado) e Fernando Filho (União-PE), deputado federal, ex-ministro de Minas e Energia no Governo Temer.
A tropa de choque da extrema direita
Fernando Bezerra Coelho é membro da família que domina a região do Vale do São Francisco, em Pernambuco, desde o século passado. É sobrinho do ex-senador Nilo Coelho. Iniciou a carreira política na extrema direita (PDS, o sucessor da Arena, partido da ditadura), depois migrou para a centro-esquerda, tendo conquistado mandatos pelo PPS (sucessor do PCB, o Partidão, atual Cidadania), e pelo PSB. Foi ministro da Integração Nacional no governo Dilma.
Saiu do PSB em 2017 porque queria apoiar o Governo Temer. O que aconteceu daí por diante é o que levou a PF às buscas e apreensões de hoje.
Como chefe político da família, Fernando Bezerra Coelho liderou o governo de Michel Temer no Senado. Logo depois, assumiu a mesma função na gestão de Jair Bolsonaro. Assim, o patriarca virou a principal tropa de choque da extrema direita no Congresso.
Fernando Filho atuou como ministro de Temer. Ele também votou sistematicamente com o bolsonarismo na Câmara dos Deputados. Por outro lado, Miguel Coelho, que chegou a ser o prefeito com maior índice de aprovação do país, transformou Petrolina na capital do orçamento secreto.
A Polícia Federal acusa a organização criminosa de direcionar licitações públicas. O clã beneficiou empresas vinculadas ao próprio grupo político. Dessa forma, os investigados usaram verbas bilionárias da extrema direita. Por fim, os políticos desviaram parte dos recursos para propina. Eles também ocultaram bens e valores milionários. A operação policial escancara a herança de corrupção dos últimos governos.






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