O barril de petróleo Brent superou a marca de US$ 100 nesta quinta-feira (23), após os hutis bombardearem dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho. O ataque abre uma nova frente na guerra e fecha a segunda das duas principais rotas marítimas de escoamento de petróleo do planeta. O Estreito de Ormuz já estava interditado pelo Irã desde o reinício dos bombardeios americanos.
O petroleiro Encelia foi atingido por mísseis balísticos, de cruzeiro e drones, e pegou fogo. A agência oficial saudita SPA confirmou o ataque e disse que a tripulação foi retirada em segurança. O navio Layla também foi atingido, mas Riad não detalhou a situação. O porta-voz militar dos hutis, Yahya Saree, afirmou: “Alvejamos os petroleiros sauditas Encelia e Layla por violarem a decisão de bloqueio emitida pelas Forças Armadas”.
O Brent chegou a ser negociado a US$ 101, com alta de 6% no dia. Desde 1º de julho, quando custava US$ 70 após um breve acordo entre Irã e EUA, o barril acumula valorização de 42%. O West Texas Intermediate (WTI), referência americana, subiu 4% e atingiu US$ 89,85.
O estrangulamento duplo
O bloqueio houthi soma-se à interdição iraniana do Estreito de Ormuz, por onde passavam 20% do comércio marítimo de combustíveis. Agora, o Estreito de Bab el-Mandeb, pelo qual passam 10% do petróleo marítimo mundial, também está fechado para navios sauditas. A Arábia Saudita usava o oleoduto até o porto de Yanbu, no Mar Vermelho, como rota alternativa a Ormuz. Cerca de 4,9 milhões de barris diários passavam por ali.
“A alternativa da Arábia Saudita para escoamento do petróleo com as restrições do Estreito de Ormuz vinham sendo via oleoduto até o Mar Vermelho. Com o fechamento de Bab el-Manbed, isso não é mais possível”, explicou Ticiana Álvares, diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep).
Trump ameaça e perde
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a responsabilizar Teerã pelas ações dos hutis e ameaçou impor “grande punição militar” ao Irã caso ocorram novos ataques. A ameaça veio no mesmo dia em que o Congresso americano aprovou US$ 95 bilhões para a guerra. O Pentágono já gastou US$ 37,5 bilhões desde fevereiro.
“A realidade é bastante desfavorável para a estabilidade dos preços mundiais dos hidrocarbonetos e os impasses estratégicos para os EUA com o envolvimento militar dos houthis irá se agravar”.
O império perdeu Ormuz. Perdeu Bab el-Mandeb. Perdeu o controle dos preços. E ameaça bombardear mais, como quem apaga incêndio com gasolina. O barril a US$ 100 é o preço da arrogância imperial.






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