A Polícia Federal abriu uma nova e explosiva frente de investigação no caso do Banco Master: a suspeita de que Daniel Vorcaro, dono do banco, financiou um exército de influenciadores digitais para atacar o Banco Central e minar a credibilidade da liquidação da instituição. A informação foi confirmada pelo próprio diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ao ICL Notícias.
Segundo Rodrigues, a PF está em “análise inicial das informações” para avaliar a abertura de um inquérito policial. A apuração mira a existência de uma campanha coordenada, na qual influenciadores teriam sido contratados para disseminar uma narrativa de ataque ao BC.
Um dos gatilhos para a investigação foi uma ação orquestrada. Na mesma data, ao menos três influenciadores bolsonaristas Marcelo Rennó (cerca de 50 mil seguidores), Firmino Cortada (mais de 2 milhões) e Paulo Cardoso (mais de 4 milhões) publicaram vídeos no Instagram com estética, abordagem e timing quase simultâneos.
Usando uma reportagem do Metrópoles como fonte comum, todos exaltavam a atuação do TCU, questionavam a legalidade da condução do Banco Central e acusavam a imprensa tradicional de manipulação. Para agravar, o conteúdo de Rennó foi posteriormente repostado pelo jornalista Luiz Bacci, que tem mais de 24 milhões de seguidores, amplificando a mensagem para uma audiência massiva.
É crucial, no entanto, separar a investigação jornalística da suspeita de manipulação. Uma coisa é a apuração de veículos como a Frente Livre, que, sem receber qualquer recurso, questiona tecnicamente a atuação do Banco Central, apontando fatos como o “timing” suspeito da liquidação do Master que ocorreu meses após a descoberta de uma fraude e horas depois do anúncio de um novo comprador privado.
Outra, completamente diferente, é a suspeita que a PF agora investiga: uma possível campanha de desinformação, financiada para criar uma falsa onda de indignação popular, confundir a opinião pública e pressionar as instituições.
Essa nova frente de apuração se soma a um cenário já complexo, que envolve a investigação da fraude bilionária na venda de ativos para o BRB e a pressão política sobre órgãos de controle. A investigação da PF sobre a tropa de choque digital não mira apenas uma campanha de marketing, mas uma possível tentativa de obstruir e deslegitimar a ação de um órgão de Estado usando o poder do dinheiro.






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