Na animação O Ratinho Detetive (1986), da Disney, o vilão Professor Ratigan é a personificação da arrogância e do desprezo por tudo que desafia sua autoridade. Com um sorriso cínico e uma retórica venenosa, ele subjuga os que o cercam, especialmente aqueles que ousam enfrentá-lo. Sua figura caricata, porém, serve como alerta: o autoritarismo, o machismo e a violência simbólica não são exclusividades da ficção.
Na vida real, o senador Plínio Valério (PSDB-AM) tem protagonizado episódios que lembram o comportamento de Ratigan. Em março de 2025, durante um evento da Fecomércio no Amazonas, Valério afirmou que sentiu vontade de “enforcar” a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, após uma sessão da CPI das ONGs. Na ocasião, ele disse: “Imagine o que é tolerar a Marina seis horas e dez minutos sem enforcá-la” .
Mais recentemente, em 27 de maio de 2025, durante uma audiência na Comissão de Infraestrutura do Senado, Valério declarou que “a mulher merece respeito, a ministra, não”, referindo-se novamente a Marina Silva. A fala levou a ministra a se retirar da sessão, após o senador se recusar a pedir desculpas .O GLOBO
Assim como Ratigan, que se considera superior e despreza aqueles que o desafiam, Valério demonstra um comportamento que desrespeita não apenas uma colega de trabalho, mas também os princípios democráticos e de igualdade de gênero.Suas declarações não apenas ofendem individualmente, mas também perpetuam uma cultura de violência simbólica contra as mulheres na política.
A diferença é que, enquanto Ratigan é derrotado no clímax da animação, a realidade exige ações concretas para combater tais comportamentos. É necessário que as instituições e a sociedade civil repudiem atitudes misóginas e autoritárias, garantindo um ambiente político respeitoso e igualitário para todos.
A história de Ratigan serve como um lembrete de que vilões podem ser derrotados quando enfrentados com coragem e determinação. Da mesma forma, é papel de todos nós confrontar e desmantelar as estruturas que permitem que figuras como Plínio Valério perpetuem o desrespeito e a violência simbólica no cenário político brasileiro.






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