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PM soco mulher Tarcísio
Policial paulista dá soco na cara de uma mulher com bebê no colo. Foto: Reprodução Redes Sociais
VIDA

Mulher com bebê é socada por PM fora de controle

Governador disse "raio que o parta" e periferia virou campo de tiro

A Frente Livre não costuma abordar notícias policialescas. A farta fonte de violência que alimenta os programas da tarde na TV não é nosso terreno. Nosso compromisso é com a análise, com a explicação da realidade que explora a classe trabalhadora. Mas neste caso, é preciso. É preciso porque sob o governo neofascista de Tarcísio de Freitas (Republicanos), a Polícia Militar de São Paulo se empertigou num espiral de violência desmedida que tem nome, cor e classe social.

No último domingo (26), em Sorocaba, uma mulher com um bebê no colo foi agredida por um policial militar durante uma abordagem em uma adega. Câmeras de segurança mostram a mulher dando um tapa no agente, que reage com um soco no rosto, derrubando-a ao chão. O bebê pode até sentir o peso do braço do policial passando em frente a seu rosto. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) registrou o caso como “resistência”. A Polícia Civil ouviu a mulher e aguarda exame de corpo de delito.

Não há contexto que justifique um homem armado, fardado, dar um soco na cara de uma mulher. Sobretudo se esta mulher carrega um bebê no colo. Um ato de violência covarde torna-se selvagem quando a moral de praticá-lo defronte da inocência de uma criança passa a segundo plano. Não há nada que perdoe tamanha barbárie.

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O método Tarcísio

A agressão em Sorocaba não é um caso isolado. É o método. Em março de 2024, quando a Conectas Direitos Humanos e a Comissão Arns denunciaram o governador à ONU pelas mortes na Operação Escudo, na Baixada Santista, Tarcísio respondeu: “Sinceramente, nós temos muita tranquilidade com relação ao que está sendo feito. E aí o pessoal pode ir na ONU, na Liga da Justiça, no raio que o parta que eu não tô nem aí”.

A Operação Verão, sequência da Operação Escudo, deixou pelo menos 56 mortos em dois meses na Baixada Santista. O Instituto Vladimir Herzog relatou tortura e vingança nas operações. Em Santos e outras 12 cidades paulistas, a PM foi responsável pela maioria das mortes violentas intencionais no governo Tarcísio. Em Santos, 60% das mortes violentas partiram da PM.

Jovens pretos na linha de tiro

A letalidade policial subiu 59,2% entre 2023 e 2024 em São Paulo, segundo o relatório “Pele Alvo”, da Rede de Observatórios da Segurança. No primeiro semestre de 2024, a PM matou 92% a mais que no mesmo período de 2023. E 66% das vítimas eram negras. Em julho de 2025, a PM matou duas pessoas em Paraisópolis, uma delas já rendida, e usou munição letal para dispersar protestos de moradores.

O governador que disse “raio que o parta” transformou a periferia em campo de tiro. A mulher socada em Sorocaba com um bebê no colo é mais uma vítima de uma política de Estado que escolhe quem morre: jovens pretos, mulheres periféricas, trabalhadores. A PM não protege. Ocupa. E Tarcísio, “nem aí”.

⚠️ Vídeo com imagens de violência extrema envolvendo crianças. Cuidado.

 

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