O preço da batata negociada nas principais Ceasas do país registrou queda média de 37,33% em julho, segundo o 8º Boletim Hortigranjeiro da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), publicado nesta terça-feira (25). O tomate caiu 39%. A cenoura, 29%. A comercialização de hortaliças cresceu 11,1%. A de frutas, 7,1%. A maçã ficou 6,84% mais barata. A laranja, 3,51%. A banana, 5,06%. Os dados são oficiais, públicos e verificáveis.
Nas redes sociais, porém, a extrema direita opera uma campanha coordenada dizendo o oposto. Bolsonaristas produzem e reproduzem vídeos apontando alta nos alimentos básicos. A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o que classifica como “ação coordenada e inautêntica” sobre preços de alimentos, com perfis ligados ao PL espalhando conteúdos com roteiros e imagens idênticos.
A engenharia da mentira
Os neofascistas estão no estado da arte de seu receituário: misturam pedaços da realidade com mentira grosseira para manipular a opinião pública. O pedaço de realidade é que batata, tomate e cenoura dobraram de preço no primeiro semestre de 2026, segundo o IPCA-15 do IBGE. A mentira grosseira é omitir que os preços já caíram — e caíram muito — nos últimos dois meses. A Conab mostra queda em nove das Ceasas analisadas. As maiores quedas da batata foram em Fortaleza (-48,68%), Vitória (-44,48%) e Recife (-43,52%). O tomate caiu até 55,16% em Vitória. A cenoura, até 38,37% em Campinas.
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem enfatizado uma alegada redução do poder de compra do brasileiro em vídeos divulgados em suas redes. Na quinta-feira, em visita a um mercado público de São Paulo, ergueu uma pimenta e reclamou do preço. A cena é o método: escolhe um produto, ignora o dado oficial, espalha a indignação. O Globo noticiou que a direita leva o preço dos supermercados para a campanha eleitoral contra Lula. O UOL classificou como “guerra de preços de comida nas redes sociais”. A guerra não é de preços. É de desinformação.
O método neofascista
O método é antigo. Em 1989, a direita usou a hiperinflação contra Lula. Agora, em 2026, recicla a fórmula. A diferença é que hoje há algoritmos amplificando a mentira e uma rede de influenciadores bolsonaristas operando com roteiros idênticos. A campanha de Lula identificou a operação e foi ao TSE. Alguns influenciadores citados relataram em suas publicações que receberam orientação para produzir os conteúdos.
A Conab explica a queda de preços pelo aumento da oferta da safra de inverno. É economia básica. Mas a extrema direita não quer economia. Quer manipulação. Precisa que o eleitor acredite que a comida está cara para colar em Lula a culpa de um problema que está sendo resolvido. A batata caiu 37%. O tomate, 39%. A cenoura, 29%. São dados da Conab, empresa pública, com metodologia auditável. A mentira é privada, viral e coordenada. E tem partido: o mesmo que ergueu bandeira americana durante o hino nacional em Copacabana.
