Enquanto o barril de petróleo Brent teima em flutuar na casa dos US$ 104 devido aos ataques de Israel e EUA ao Irã, o brasileiro respira aliviado na hora de abastecer. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) divulgados nesta segunda-feira (11), o preço do diesel acumulou sua quarta queda em cinco semanas, registrando um recuo de 4,5% no período. O litro do diesel S10, o mais utilizado no país, fechou a semana de 3 a 9 de maio com preço médio de R$ 7,24.
O fenômeno não é milagre, mas política de Estado. A trajetória de queda coincide milimetricamente com o início da subvenção do governo Lula aos produtores e importadores, em vigor desde 1º de abril. O governo passou a oferecer um subsídio de até R$ 1,12 por litro para o diesel nacional e R$ 1,52 para o importado, com uma condição inegociável: o desconto deve ser repassado integralmente à cadeia de consumo. Além disso, a zeragem do PIS/Cofins sobre o combustível serviu como um freio de mão na ganância inflacionária.
A Petrobras como escudo soberano
O pesquisador Iago Montalvão, do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep), explica que a forte presença da Petrobras foi essencial para segurar o repasse do choque internacional.
Com uma participação de quase 80% no mercado de derivados, a estatal não aumentou os preços na mesma proporção do petróleo Brent, forçando as refinarias privadas a segurarem seus balanços. É o Estado usando sua maior empresa para proteger o prato de comida do trabalhador, já que o preço do diesel impacta diretamente o valor do frete e dos alimentos.
Apesar da redução, o combustível ainda está 18,9% acima do patamar de pré-guerra, iniciado em 28 de fevereiro. Naquela época, o litro era vendido por R$ 6,09. A escalada chegou ao pico de R$ 7,58 em abril, mas as medidas fiscais e a subvenção do governo conseguiram reverter a tendência de alta. Para a Frente Livre, fica claro: se dependesse exclusivamente do “mercado”, o caminhoneiro estaria pagando a conta da geopolítica imperialista no Oriente Médio.
Inflação sob controle e bolso cheio
As desonerações e subvenções têm sido fundamentais para conter a inflação galopante que ameaçava o país após o choque de preços.
“Essas medidas têm sido muito importantes para conter a inflação como um todo na economia”, afirma Montalvão.
Enquanto a oposição bolsonarista aposta no “quanto pior, melhor”, o governo Lula demonstra que é possível ter uma política de preços soberana, desatrelada da paridade internacional que sangrava o bolso do brasileiro em gestões passadas.
O sucesso da medida também contou com a articulação política do vice-presidente Geraldo Alckmin, que monitorou a adesão dos estados ao subsídio. Com o preço do diesel em queda, o governo pavimenta o caminho para uma estabilidade econômica real, provando que o controle estratégico de setores vitais é a única saída contra as crises globais do capital. O Brasil voltou a ter governo, e o tanque cheio é a prova disso.






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