A guerra de poder em torno da liquidação do Banco Master escalou para o mais alto nível institucional. Em uma mensagem contundente enviada via WhatsApp a um grupo de ministros do Tribunal de Contas da União (TCU), o presidente da corte, Vital do Rêgo, saiu em defesa aberta do relator do caso, Jhonatan de Jesus, e mandou um recado direto ao Banco Central e ao mercado financeiro: o TCU não recuará.
A mensagem, obtida e divulgada pela coluna de Tácio Lorran, no portal Metrópoles, é uma resposta direta à pressão sofrida pelo tribunal desde que Jhonatan de Jesus ameaçou anular a liquidação do banco de Daniel Vorcaro.
No texto, Vital do Rêgo afirma que o TCU está “sob ataque” de uma “única narrativa” reverberada pela imprensa uma clara alusão ao manifesto coordenado por entidades como a Febraban, que defenderam a “independência” do BC após a ameaça do relator.
“Nenhuma instituição pública, mesmo na condição de órgão regulador, goza da benesse de ficar imune ao controle externo”, escreveu o presidente do TCU, em um torpedo direcionado ao coração da autonomia do Banco Central. “O TCU não pode se alienar de suas prerrogativas, a pretexto de interesses quaisquer, pois senão abrirá um flanco para se tornar um tribunal enfraquecido, um tribunal que poderá ser emparedado por interesses republicanos ou não”.
A escalada do confronto
A manifestação do presidente do TCU consolida o confronto aberto que a Frente Livre vem noticiando. A sequência dos fatos é clara:
- O Banco Central, pressionado pelos grandes bancos, liquida o Master.
- O ministro do TCU, Jhonatan de Jesus, ameaça reverter a decisão.
- O mercado financeiro se une em um manifesto para blindar o BC e isolar o TCU.
- Agora, o presidente do TCU, Vital do Rêgo, compra a briga, defende seu relator e avisa que não se intimidará com a pressão.
As perguntas que o BC não responde
A firmeza do presidente do TCU se ampara em detalhes incômodos na atuação do Banco Central, que a Frente Livre noticiou:
-
3 de setembro: O BC veta a compra do Master pelo BRB, um negócio classificado como “absurdamente fraudulento”, envolvendo títulos podres e falsificações. Diante de um crime, a ação do órgão supervisor deveria ser imediata. Mas não foi.
-
18 de novembro: Mais de dois meses depois, o BC finalmente decreta a liquidação do Master. A ação ocorreu, numa coincidência difícil de explicar, poucas horas depois de Daniel Vorcaro, dono do banco, informar que havia conseguido um novo comprador, em uma transação totalmente privada.
A sequência levanta duas questões fundamentais: Por que o BC esperou tanto tempo para liquidar o banco após descobrir as fraudes na negociação com o BRB? E por que agiu de forma apressada justamente quando uma solução privada, que manteria o banco funcionando, estava prestes a se concretizar?
A escalada do confronto
É nesse contexto de suspeita que a guerra de poder se desenrola. A ameaça do relator Jhonatan de Jesus de anular a liquidação, a reação em bloco do mercado financeiro para blindar o BC e, agora, o contra-ataque do presidente do TCU, Vital do Rêgo, são peças de um xadrez complexo.
A defesa de Vital do Rêgo a seu relator deixa claro que a investigação do TCU não é um ato isolado, mas uma resposta a ações do Banco Central que, no mínimo, carecem de explicação.






Deixe seu comentário