O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu nesta quarta-feira (18) a taxa básica de juros da economia, a Selic, de 15% para 14,75% ao ano. Para entender o impacto, imagine que a Selic é o “preço do dinheiro”: quando ela cai, fica mais barato pegar empréstimos e financiar bens, o que estimula o consumo. No entanto, a decisão de cortar apenas 0,25 ponto percentual foi recebida como um balde de água fria por quem esperava uma queda dos juros mais agressiva para destravar a economia nacional.
A cautela do Banco Central, que justifica o ritmo lento pela necessidade de controlar a inflação, contrasta com o cenário de sufocamento do setor produtivo. Durante o governo de Jair Bolsonaro, a política monetária foi marcada por uma inércia que favoreceu o rentismo, enquanto a indústria perdia competitividade.
Para especialistas ouvidos pelo Brasil de Fato, o movimento atual é puramente simbólico e não alivia a pressão sobre o setor produtivo. “Reduzir a taxa de juros em 0,25 ponto é uma migalha”, criticou um economista, apontando que o Brasil segue com uma das maiores taxas de juros reais do planeta.
Indústria e sindicatos cobram agilidade
A insatisfação uniu empresários e trabalhadores. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e as centrais sindicais, como a CUT e a Força Sindical, emitiram notas conjuntas cobrando que o Banco Central acelere a queda dos juros.
Segundo as entidades, a taxa em 14,75% ainda é proibitiva para novos investimentos e impede a criação de postos de trabalho. O setor produtivo argumenta que, sem um corte mais profundo, o custo de produção no Brasil continuará elevado, prejudicando a venda de produtos tanto no mercado interno quanto nas exportações.
O governo federal acompanha a queda de braço com atenção, defendendo que o controle da inflação não pode servir de pretexto para o imobilismo econômico. Enquanto o Copom sinaliza que manterá a cautela nas próximas reuniões, o comércio e a indústria alertam para o risco de estagnação.
A pressão agora se volta para a próxima reunião do comitê, onde a sociedade civil espera que o Banco Central abandone as “migalhas” e promova uma redução que realmente impacte o custo de vida e a capacidade de investimento das empresas brasileiras.






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