A Polícia Federal, em uma ação conjunta com a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Receita Federal, deflagrou nesta terça-feira (13) a nona fase da Operação Overclean, mirando pela primeira vez o coração político de um esquema bilionário de corrupção. O principal alvo é o deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT-Bahia).
A operação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), cumpre nove mandados de busca e apreensão na Bahia e no Distrito Federal. O STF também determinou o bloqueio de R$ 24 milhões das contas dos investigados para garantir o ressarcimento aos cofres públicos.
Um esquema bilionário e ramificado
A Operação Overclean, que teve sua primeira fase em dezembro de 2024, investiga uma organização criminosa sofisticada, especializada em desviar recursos públicos provenientes de emendas parlamentares. O esquema funcionava direcionando verbas para empresas ligadas a prefeituras, principalmente na Bahia, através de licitações fraudadas e superfaturamento de obras.
A investigação, que já contou com o auxílio da agência de segurança interna dos EUA (Homeland Security), estima que o grupo tenha movimentado cerca de R$ 1,4 bilhão.
O rastro da destruição deixado pela Overclean
A chegada da operação ao Congresso Nacional é o ápice de uma investigação longa e meticulosa que, ao longo de suas fases, já revelou uma teia complexa de corrupção e desarticulou partes importantes da organização:
- Prefeitos Afastados: Em junho de 2025, a operação determinou o afastamento de dois prefeitos baianos, Humberto Raimundo Rodrigues de Oliveira (Ibipitanga) e Alan Machado (Boquira).
- Servidores Exonerados: Desde o início, oito servidores públicos foram afastados de suas funções por envolvimento no esquema, que atingiu diretamente órgãos como o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS).
- Bloqueios Milionários: Além dos R$ 24 milhões bloqueados nesta fase, a operação já havia determinado o congelamento de outros R$ 85,7 milhões em fases anteriores para frear a lavagem de dinheiro.
Os investigados na nona fase, incluindo o deputado, poderão responder pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e lavagem de dinheiro. A operação mostra que, após desmantelar as bases do esquema nos municípios, a Polícia Federal agora mira o topo da pirâmide.
Fonte: Com informações da Agência Brasil






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