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Ratinho Jr acelera “estrada” para jetskis e ignora comunidades

Governo do Paraná quer criar uma rota aquática até SP por hidrovia milionária que atravessa unidades de conservação e comunidades tradicionais, sem consulta ou licença ambiental

O governo do Paraná, comandado por Ratinho Junior (PSD), quer dragar o Canal do Varadouro para viabilizar a chamada BR do Mar, uma rota hidroviária ligando o litoral paranaense a São Paulo. A promessa é fomentar o “turismo de base comunitária”, mas os documentos revelam outro caminho: a estruturação de uma rota de luxo voltada a embarcações milionárias, idealizada sob medida para o setor privado. O plano é inspirado no gosto pessoal do mentor político de Ratinho, Jair Bolsonaro, notório pelas jet skiatas.

A proposta tem entre seus entusiastas o empresário Ernani Paciornik, dono do Grupo Náutica e anfitrião do São Paulo Boat Show, feira que promove iates de até R$ 15 milhões. Paciornik, que já participou de eventos oficiais com Ratinho e foi citado pelo governador como um dos idealizadores da BR do Mar, também integra empreendimentos com contratos junto ao governo paranaense.

A rota prevê dragagem em áreas de proteção ambiental e atravessa comunidades caiçaras, quilombolas e territórios de povos tradicionais. O projeto não possui licença do ICMBio nem do Ibama, que já apontaram irregularidades e negaram autorização para parte das obras. Mesmo assim, a proposta segue viva, com previsão de R$ 50 milhões no orçamento estadual para 2025.

A população local não foi consultada formalmente, como exige a Convenção 169 da OIT. Após pressão do MPF, o governo paranaense realizou uma reunião técnica sem a presença das comunidades afetadas. Na região, os relatos são de medo e silenciamento. “Essa obra é pra eles, não é pra nós”, resume Durval Martins, morador da Vila Fátima, uma das comunidades mais atingidas.

O projeto, que prevê dragar o equivalente a 26 mil caminhões de areia, já é investigado pelo MPF. A Unilivre, organização contratada sem licitação para elaborar os estudos ambientais, é acusada de abordar moradores de forma informal, omitindo informações sobre o real impacto da obra.

Enquanto isso, jet skis cortam os canais de forma barulhenta e ameaçadora, empurrando erosão para dentro das casas e espantando os pescadores. Até quando o turismo de luxo será financiado às custas da população ribeirinha e da destruição ambiental?


[Quem ganha e quem perde com a BR do Mar?]

Ganhadores Perdedoras
Empresários do setor náutico Comunidades tradicionais
Turismo de luxo Espécies ameaçadas de extinção
Jet skis e embarcações privadas Ecossistemas protegidos da Mata Atlântica
Obras com recursos públicos Direito ao meio ambiente equilibrado


Fonte: Intercept Brasil

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